A tensão militar no Oriente Médio escalou novamente na manhã desta quarta-feira (15). O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) anunciou o início de uma nova e robusta onda de bombardeios aéreos contra posições militares em território iraniano. Em comunicado oficial divulgado nas redes sociais, as forças norte-americanas informaram que os ataques começaram às 6h (horário local) e têm como objetivo direto debilitar as capacidades logísticas e de combate que a República Islâmica vem utilizando para assediar e interceptar navios comerciais no Estreito de Ormuz. A retomada das hostilidades ocorre menos de um mês após a assinatura de um cessar-fogo que havia paralisado temporariamente o conflito regional.
Em paralelo à ofensiva aérea, o presidente norte-americano Donald Trump adotou um tom de ameaça extrema durante entrevista à emissora Fox News na noite de terça-feira. Trump alertou que o nível de destruição das incursões militares dos EUA será ampliado drasticamente caso Teerã se recuse a negociar um novo acordo de paz.
“Vamos atingi-los duramente. Na semana que vem, será a vez das centrais elétricas e das pontes. Vamos destruir todas as centrais e pontes deles, a não ser que se sentem à mesa de negociações”, declarou o mandatário norte-americano.
Apesar da postura militar agressiva, a Casa Branca recuou formalmente da polêmica proposta de taxar em 20% o frete de todas as embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz. Através de sua rede social, a Truth Social, Trump revelou que substituiu a tarifa obrigatória após “conversas produtivas” com líderes do Golfo Pérsico, incluindo o primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi. Em vez do pedágio marítimo, os países árabes se comprometeram a realizar investimentos industriais e comerciais massivos e históricos em solo norte-americano, o que, segundo o presidente, deve gerar milhões de postos de trabalho nos EUA.
No campo de batalha, a situação logística na região segue caótica. Enquanto os EUA mantêm um bloqueio naval total voltado exclusivamente a portos iranianos e navios que transportem cargas de Teerã, a República Islâmica respondeu com novos ataques aéreos. Apenas na terça-feira, três navios petroleiros — dois pertencentes aos Emirados Árabes Unidos e um à Noruega — foram alvejados por forças iranianas no estreito, resultando na morte de pelo menos um tripulante de nacionalidade indiana. Em resposta, forças de Teerã também direcionaram mísseis e drones contra bases operacionais dos EUA no Golfo.
Foto: Redação – Thiago Salles