A Ânima Educação deu um passo estratégico de peso para consolidar sua presença no mercado paulista de ensino superior privado. A companhia anunciou oficialmente a aquisição do tradicional Centro Universitário FMU pelo montante de R$ 410 milhões. A transação, que depende do aval regulatório do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) — previsto para ser concluído até o fim do ano —, representa um movimento focado em absorver a forte capilaridade digital da instituição adquirida e em surfar as novas diretrizes do governo para o ensino híbrido.
Com a consolidação do negócio, a Ânima passa a gerenciar uma estrutura de cerca de 51 mil alunos distribuídos em seis campi na cidade de São Paulo e 214 polos de educação a distância (EAD). O desempenho da FMU no ambiente virtual foi classificado como o principal atrativo para a compra, por ter apresentado crescimento acima da média setorial mesmo durante os recentes anos de reestruturação da instituição. Em entrevista à imprensa, a presidente da Ânima, Paula Harraca, destacou a importância de absorver essa tecnologia:
“Ela tem um know-how de digital que nós, com humildade, assumimos que não temos e vamos aprender. Sempre acreditamos na hibridez. Agora, oficialmente, se abre essa oportunidade.”
A aquisição adicionará aproximadamente 11% à receita bruta da Ânima e ampliará sua base de clientes em 15%. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores do grupo, Átila Simões da Cunha, existe uma grande oportunidade de recuperação de mercado. A FMU viu sua fatia no ensino presencial paulistano encolher de 9% em 2021 para 6% em 2024 devido a gargalos financeiros internos, e não por perda de qualidade pedagógica. A meta do grupo é resgatar a participação histórica, o que pode destravar um potencial de crescimento de até 50% na captação de novos alunos, além de dobrar as margens operacionais da FMU (atualmente em 20%) para o patamar de 40% praticado pelas outras marcas da holding.
Para blindar seu balanço corporativo e manter a trajetória de desalavancagem abaixo de três vezes a relação dívida líquida/Ebitda, a Ânima dividirá o pagamento em duas tranches: uma parcela inicial de R$ 240 milhões será desembolsada no fechamento do negócio, e o restante será quitado em dezembro de 2029 — ou três anos após o veredito final do Cade.
Foto: Pedro Accioly/FMU/Divulgação / Redação – Thiago Salles