O Brasil deu um passo decisivo rumo à modernização de sua matriz elétrica com a aprovação da Medida Provisória nº 1.304/2025, que passa a reconhecer oficialmente os Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias (BESS) como parte estratégica da infraestrutura do setor elétrico. Na prática, a medida abre caminho para a substituição gradual dos geradores movidos a diesel por soluções mais limpas, silenciosas e econômicas.
Antes restritas a grandes empreendimentos, as baterias agora ganham espaço em empresas de médio e até pequeno porte. Além do benefício ambiental, com redução de emissão de poluentes e ruídos, os sistemas permitem economia nos horários de maior consumo e aumentam a confiabilidade no fornecimento de energia.
Especialistas apontam que esse avanço também resolve um dos principais desafios da energia solar no país: a intermitência. Embora o Brasil já tenha ultrapassado a marca de 60 GW de potência instalada em geração solar, o pico de produção ocorre ao meio-dia, enquanto o maior consumo acontece à noite. Com as baterias, o excedente gerado durante o dia pode ser armazenado e utilizado nos horários críticos.
Isso diminui a dependência das usinas termelétricas, que encarecem o sistema e aumentam as emissões de carbono. No setor industrial, os equipamentos também são usados para reduzir a demanda nos horários de pico, garantir reserva de segurança e permitir planejamento mais eficiente dos custos operacionais.
Experiências internacionais comprovam a eficiência do modelo. Projetos como o La Martina, na Colômbia, já utilizam grandes sistemas de armazenamento integrados à geração solar, reduzindo toneladas de CO₂ por ano e aumentando a estabilidade da rede elétrica.
No Brasil, até recentemente, a expansão desse tipo de tecnologia esbarrava na falta de regras claras. Esse cenário começou a mudar com o reconhecimento formal do armazenamento como atividade de geração por meio de normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), agora reforçadas pela MP 1.304.
Especialistas apontam que, além das baterias, o futuro do setor passa pela ampliação da rede de transmissão, adoção de tarifas dinâmicas e atualização constante do marco regulatório. A expectativa é que a combinação dessas medidas fortaleça a segurança do sistema, reduza custos para consumidores e acelere a transição para uma matriz elétrica cada vez mais limpa.

Foto: João Silva/Brasil News
Redação Brasil News