Guerra política na Saúde: Lula exige que detratores do SUS se ajoelhem e peçam perdão e culpa Bolsonaro por metade das mortes na pandemia.

Política

O Palácio do Planalto foi palco de um discurso inflamado e de forte teor político nesta segunda-feira (6). Durante uma cerimônia oficial para anunciar novos investimentos na área da saúde pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom e declarou abertamente que todos aqueles que historicamente atacaram o Sistema Único de Saúde (SUS) deveriam “se ajoelhar e pedir perdão”. A fala mirou diretamente setores privados e opositores que tentaram desqualificar o sistema antes e durante a crise sanitária global.

O chefe do Executivo não poupou palavras ao responsabilizar diretamente a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro por uma parcela significativa das perdas humanas durante a pandemia. Lula afirmou categoricamente que, das mais de 716 mil mortes registradas por Covid-19 no Brasil, pelo menos metade ocorreu devido à “irresponsabilidade” do governo da época. Entre as acusações, o presidente destacou o atraso deliberado na compra de imunizantes, a negação da ciência e o comportamento dos ministros da Saúde que comandaram a pasta no período crítico. Segundo ele, o SUS e seus profissionais — desde médicos até a equipe de limpeza — foram os únicos responsáveis por evitar que o número de vítimas fatais fosse o dobro.

A declaração pesada serviu de pano de fundo para o lançamento de um novo pacote de ações do governo federal, que soma R$ 464,8 milhões em recursos. Entre as medidas anunciadas para tentar blindar o setor de críticas, destaca-se o programa “Agora Tem Especialistas”, focado na redução drástica do tempo de espera por consultas e exames de média e alta complexidade, um dos principais gargalos da rede pública atualmente.

O plano também prevê a entrega de ambulâncias, consultórios odontológicos móveis e uma frota de 3,3 mil ônibus e vans equipados com ar-condicionado para garantir o transporte digno de pacientes e acompanhantes para tratamentos distantes. Na área de oncologia, a meta fixada é iniciar as terapias em até 60 dias após o diagnóstico, impulsionada pela inauguração da Unidade Oncológica Dona Lindu, em Garanhuns, e do Hospital Universitário Marco Capute, em Vassouras, ambos equipados com maquinário de radioterapia de padrão internacional.

Foto: Agência Brasil / Redação – Thiago Salles

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