Ameaça de destruição econômica? Tarifaço histórico dos EUA pode sufocar indústrias brasileiras e travar bilhões em exportações.

Internacional

O fantasma de uma crise comercial sem precedentes assombra a economia nacional. Começou nesta segunda-feira (6) a tensa audiência oficial nos Estados Unidos que pode selar o destino de US$ 14,9 bilhões em exportações do Brasil. Uma projeção alarmante divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o plano do governo americano de aplicar sobretaxas agressivas vai golpear diretamente cerca de 4,1 mil produtos brasileiros, ameaçando arrastar empresas e trabalhadores para um cenário de severa recessão.

O Palácio do Planalto e o setor produtivo assistem com apreensão ao avanço de duas frentes de punição que, somadas, podem elevar o imposto cobrado sobre mercadorias brasileiras a assustadores 37,5%. O escritório comercial dos EUA (USTR) alega que as políticas do Brasil para o comércio digital, tarifas internas e o desmatamento ilegal justificam uma sanção de 25% com base na rigorosa “Seção 301”. Para piorar a situação, uma investigação paralela sobre suposto trabalho forçado incluiu o Brasil em uma lista negra de 90 países, gerando uma proposta de taxa adicional de 12,5%.

O impacto dessa medida é considerado cirúrgico e devastador. O Brasil é hoje o principal fornecedor global de 11 insumos vitais para os próprios americanos. Setores como o de compensado de pinus (onde o Brasil domina 99,6% do mercado nos EUA), ferro-gusa (73,3%), tabaco processado (72%) e álcool etílico (72,3%) correm o risco de se tornarem inviáveis do dia para a noite. O presidente da CNI, Ricardo Alban, alertou publicamente que o “tarifaço” vai implodir cadeias produtivas integradas há décadas, gerando prejuízos bilionários e alta de custos para os consumidores de ambas as nações.

A mobilização para tentar barrar o desastre é total. A audiência em Washington se estende até terça-feira (7), data em que o embaixador brasileiro Roberto Azevêdo usará a palavra em nome da indústria nacional para tentar demover as autoridades americanas da decisão. O clima é de forte oposição: das 80 pessoas inscritas para falar no painel internacional, 66 prometem se posicionar contra as tarifas. O veredito final da Casa Branca e do USTR está marcado para o próximo dia 15 de julho, data em que o mercado saberá se o comércio bilateral será sufocado pela barreira protecionista.

Foto: CNI Divulgação / Redação – Thiago Salles

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