A fotografia política do Brasil voltou a mudar e colocou o governo Lula diante de um sinal de alerta. Pela primeira vez desde 2014, a direita aparece numericamente à frente da esquerda na matriz ideológica medida pelo Datafolha. O levantamento aponta 44% dos brasileiros classificados à direita ou centro-direita, contra 39% à esquerda ou centro-esquerda. Outros 17% ficaram no centro.
O resultado representa uma inversão em relação a 2022, quando a esquerda somava 49% e a direita aparecia com 34%. A nova rodada indica avanço dos grupos de direita e centro-direita, enquanto esquerda e centro-esquerda recuaram na comparação com o último levantamento da série.
A mudança mais forte aparece no campo comportamental. Questões ligadas a pobreza, segurança, religião, armas e costumes ajudaram a deslocar parte do eleitorado para posições mais conservadoras. Um dos pontos de maior impacto foi a percepção sobre a pobreza: cresceu o número de brasileiros que associam a situação à falta de esforço individual, enquanto caiu a parcela que aponta a falta de oportunidades como principal causa.
O levantamento foi feito de forma presencial nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O resultado aumenta o peso da disputa ideológica no país e mostra que, em pleno governo Lula, a direita recuperou terreno no debate público nacional.
Foto: Fábio Vieira/Estadão – Redação – Thiago Salles