A guerra civil no Sudão entrou em um novo capítulo de horror. Novas imagens de satélite divulgadas pelo Laboratório de Investigação Humanitária da Universidade de Yale mostram sinais de massacres recentes na cidade de El-Fasher, em Darfur, tomada pelas Forças de Apoio Rápido (FAR) após meses de cerco.
Os registros indicam áreas queimadas, valas comuns e movimentações reduzidas de civis, o que levanta suspeitas de milhares de mortos e desaparecidos. Organizações como Médicos Sem Fronteiras alertam para uma tragédia humanitária de grandes proporções.
Autoridades europeias reagiram com indignação. O chanceler alemão Johann Wadephul classificou a situação como “o maior desastre humanitário do mundo”, e a ministra britânica Yvette Cooper anunciou um novo pacote de ajuda de 6,6 milhões de dólares ao país.
Relatos de sobreviventes são devastadores: civis executados em casa, estupros em massa e crianças assassinadas durante tentativas de fuga. As comunicações permanecem precárias, e o Exército do Sudão afirma que cerca de 2 mil pessoas foram mortas desde a invasão da cidade.
A ONU e a União Europeia pedem que a comunidade internacional cesse o fornecimento de armas às FAR e investigue os crimes. A tomada de El-Fasher dá aos paramilitares o controle total de Darfur, aprofundando a crise e ameaçando espalhar a violência para outras regiões.
Foto: EBRAHIM HAMID / AFP