O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, retirou o sigilo de parte da investigação da Polícia Federal que apura supostas irregularidades envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e pessoas ligadas ao Banco Master.
Segundo os documentos da Operação Compliance Zero, investigadores identificaram 74 chamadas telefônicas realizadas entre o senador e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, entre novembro de 2023 e maio de 2025. As ligações, que somam mais de cinco horas de duração, foram apontadas pela PF como indício de uma relação de proximidade entre ambos.
A investigação também descreve mensagens, encontros e benefícios que teriam sido concedidos ao parlamentar e a familiares. Entre eles, a entrega de vinhos de alto valor, ingressos para apresentações da cantora Taylor Swift e reuniões realizadas no gabinete do senador, algumas delas em datas consideradas estratégicas para a tramitação de matérias de interesse do Banco Master.
De acordo com a Polícia Federal, Jaques Wagner teria atuado politicamente em favor de propostas que beneficiariam a instituição financeira. Em troca, segundo a investigação, o parlamentar teria recebido vantagens patrimoniais e repasses destinados a empresas ligadas à sua família. Essas suspeitas ainda são objeto de apuração e não representam conclusão definitiva sobre o caso.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, citado em um dos relatórios, negou ter participado de reunião com Augusto Lima no gabinete do senador e afirmou não ser investigado pela Polícia Federal.
Nesta sexta-feira (31), Jaques Wagner declarou estar tranquilo em relação às investigações e afirmou que irá demonstrar sua inocência ao longo do processo. Até o momento, não há condenação contra o senador, e o caso segue em fase de investigação.
Foto: Andressa Anholete / Agência Senado
Redação: Ana Flavia