Passageiros do navio MV Hondius relataram momentos de tensão e revolta após o surgimento de um surto de hantavírus durante uma viagem internacional que partiu da Argentina em direção à Europa.
Segundo denúncias feitas por turistas que estavam a bordo, a tripulação teria demorado a adotar medidas preventivas mesmo após a primeira morte registrada dentro da embarcação.
Relatos apontam que, logo após o anúncio do óbito de um passageiro holandês, a tripulação chegou a organizar um churrasco no navio, situação que gerou indignação entre os viajantes.
O cruzeiro havia saído de Ushuaia com destino às Ilhas Canárias, passando por regiões como Antártida, Ilhas Malvinas e Geórgia do Sul.
De acordo com testemunhas, inicialmente a morte do turista foi tratada como resultado de causas naturais, sem alertas imediatos sobre possível risco de contágio.
Com o passar dos dias, outros passageiros começaram a apresentar sintomas semelhantes, incluindo febre, dores de cabeça e problemas respiratórios, aumentando o clima de preocupação dentro do navio.
Segundo informações divulgadas pela Organização Mundial da Saúde, o surto já deixou pelo menos três mortos e outros casos suspeitos seguem sendo monitorados.
As autoridades de saúde identificaram a presença da cepa Andes do hantavírus, considerada uma das variantes mais perigosas por possuir potencial de transmissão entre seres humanos.
Passageiros afirmaram que medidas como uso de máscaras, isolamento em cabines e distanciamento social só começaram a ser implementadas vários dias depois do primeiro caso grave.
Além das mortes confirmadas, outros passageiros e tripulantes precisaram ser retirados do navio durante escalas em diferentes países para atendimento médico especializado.
O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com secreções de roedores infectados, podendo provocar complicações respiratórias graves e até fatais.
Apesar da preocupação internacional, a OMS informou que o risco global de disseminação ainda é considerado baixo.
As denúncias envolvendo a condução da crise sanitária dentro do cruzeiro seguem repercutindo e levantando questionamentos sobre protocolos de segurança em viagens marítimas internacionais.
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Redação – Thiago Salles