Morre sobrevivente da tragédia com Césio-137 e caso que chocou o Brasil volta a emocionar o país.

Brasil

Lucimar das Neves Ferreira, de 53 anos, sobrevivente do acidente com o Césio-137 ocorrido em Goiânia em 1987, foi encontrado morto no último sábado (25), em Goiás. A informação foi divulgada pela Associação das Vítimas do Césio-137. Até o momento, a causa da morte não foi oficialmente informada.

Na época da tragédia, Lucimar tinha apenas 14 anos e fazia parte da família diretamente atingida pela contaminação radioativa. Ele era irmão de Leide das Neves Ferreira, menina que se tornou um dos principais símbolos do desastre após morrer em consequência da exposição ao material radioativo.

O acidente começou quando um aparelho de radioterapia abandonado foi retirado de um prédio desativado e levado para um ferro-velho. A cápsula contendo Césio-137 foi aberta, liberando um pó de coloração azulada que despertou a curiosidade de diversas pessoas, sem que elas soubessem do alto risco de contaminação.

A mãe de Lucimar e Leide, Lourdes das Neves Ferreira, já relatou em diversas ocasiões os momentos de desespero vividos durante a identificação das vítimas. Segundo seu depoimento, equipes utilizaram detectores de radiação para separar os contaminados, enquanto muitos familiares eram obrigados a aguardar notícias sem saber a gravidade da situação.

Considerado o maior acidente radiológico do mundo ocorrido fora de uma usina nuclear, o desastre contaminou diretamente 249 pessoas e provocou quatro mortes confirmadas. Além das vítimas fatais, milhares de pessoas tiveram suas vidas impactadas pelas consequências físicas, psicológicas e sociais da tragédia.

Em 1988, o Governo de Goiás criou a Fundação Leide das Neves Ferreira para acompanhar e prestar assistência às pessoas afetadas pela radiação, trabalho que continua sendo referência no atendimento às vítimas do acidente.

A morte de Lucimar reacende a memória de um dos episódios mais marcantes da história brasileira e reforça a importância da preservação da segurança no manuseio de materiais radioativos.

Foto: Lourdes das Neves Ferreira/Reprodução

Redação – Ana Flavia

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