A jornalista Sônia Carneiro, uma das profissionais que acompanharam de perto importantes transformações políticas do Brasil nas últimas décadas, morreu neste domingo (20), em Brasília, aos 74 anos. Nascida em 15 de outubro de 1951, ela completaria 75 anos no mês seguinte.
Conhecida entre colegas e amigos como Soninha, Sônia construiu uma trajetória de mais de cinco décadas no jornalismo, com forte atuação na cobertura política em Brasília.
Ela iniciou a carreira em 1971 e permaneceu durante 32 anos na Rádio Jornal do Brasil e no Jornal do Brasil, até 2003. Ao longo desse período, exerceu funções como repórter, chefe de reportagem e diretora da Rádio Jornal do Brasil na capital federal.
Testemunha de momentos históricos
Sônia esteve presente em momentos decisivos da história política brasileira.
Como setorista no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto, acompanhou episódios como o movimento das Diretas Já, a Assembleia Nacional Constituinte de 1987 e 1988, a CPI de PC Farias e o processo de impeachment de Fernando Collor, em 1992.
Sua atuação durante a Constituinte ganhou registro especial anos depois.
Em 2018, Sônia participou da série “Testemunha da História”, da TV Senado, na qual relembrou sua experiência como repórter durante a elaboração da Constituição de 1988 e destacou a importância da imprensa na mobilização da sociedade e na divulgação dos trabalhos constituintes.
Mais de cinco décadas dedicadas à comunicação
Além do trabalho diário na cobertura política, Sônia também ocupou posições de liderança nas redações e participou da formação de gerações de jornalistas que atuaram em Brasília.
Colegas que trabalharam ao lado dela destacaram sua experiência, generosidade profissional e disposição em ajudar repórteres mais jovens.
O jornalista João Vianney, que conviveu com Sônia entre o fim dos anos 1970 e meados dos anos 1980, prestou homenagem à antiga colega e relembrou o apoio recebido no início de sua trajetória profissional.
Legado ligado à memória política do país
A trajetória de Sônia Carneiro atravessou momentos de transição entre a ditadura militar e a redemocratização, além de mudanças importantes no funcionamento da imprensa e das instituições brasileiras.
Seu trabalho ficou especialmente ligado à cobertura do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, onde acompanhou algumas das principais decisões políticas das últimas décadas.
Sônia deixa os filhos Terence e Danniel Zveiter. Até a última atualização, não haviam sido divulgadas informações oficiais sobre velório e sepultamento.
Foto: Reprodução/TV Senado –
Redação – Thiago Salles