Israel reabre Rafah sob fortes restrições e frustra esperança de saída em massa de Gaza.

Internacional

Israel reabriu parcialmente neste domingo (1º) a passagem fronteiriça de Rafah, entre o Egito e a Faixa de Gaza, um dos principais pontos estratégicos para a entrada de ajuda humanitária e a saída de civis do território palestino. O posto estava fechado desde maio de 2024, após a ocupação israelense da área.

Segundo autoridades israelenses, a reabertura será restrita exclusivamente ao trânsito de moradores de Gaza e condicionada a rigorosos critérios de segurança. A circulação nos dois sentidos, de acordo com o Cogat — órgão ligado ao Ministério da Defesa de Israel —, só deve começar após a conclusão dos preparativos logísticos, sem previsão clara para a ampliação do fluxo humanitário.

A decisão ocorre em meio à devastação provocada por quase dois anos de guerra contra o movimento islamista palestino Hamas. Para centenas de palestinos doentes, a passagem representa a única chance de acesso a tratamento médico fora de Gaza. De acordo com o Ministério da Saúde local, cerca de 200 pacientes aguardavam a abertura para seguir ao Egito em busca de atendimento urgente.

Entre eles está Mohamed Shamiya, de 33 anos, portador de insuficiência renal, que depende de sessões regulares de diálise. “Cada dia que passa minha condição piora. Preciso sair para continuar vivo”, relatou. Para muitos deslocados que vivem em tendas improvisadas, a reabertura parcial é vista apenas como um alívio simbólico, incapaz de atender às necessidades reais da população.

Organizações humanitárias alertam que a medida não resolve o bloqueio ao envio de suprimentos essenciais. A situação se agravou ainda mais após Israel determinar que a ONG Médicos Sem Fronteiras deixe Gaza até o fim de fevereiro, após se recusar a fornecer a lista de seus funcionários palestinos.

A reabertura de Rafah acontece em um contexto de trégua frágil. Bombardeios recentes deixaram dezenas de mortos, segundo a Defesa Civil de Gaza, levantando dúvidas sobre a estabilidade do cessar-fogo iniciado em outubro de 2025. Israel afirma ter reagido a violações do acordo.

Enquanto isso, líderes regionais reforçaram sua oposição a qualquer tentativa de deslocamento forçado da população palestina. Em reunião no Cairo, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o rei Abdullah II defenderam o acesso irrestrito da ajuda humanitária a Gaza e rejeitaram mudanças territoriais impostas pela guerra.

Um comboio de ambulâncias aguarda no lado egípcio da passagem fronteiriça de Rafah com a Faixa de Gaza, em 1º de fevereiro de 2026.

Foto: SAID KHATIB
Redação Brasil News

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