Um dos vulcões mais temidos do México voltou ao radar das autoridades científicas após apresentar mudanças consideradas incomuns em sua estrutura interna. Localizado no estado de Chiapas, o El Chichonal — responsável por uma das erupções mais violentas do século XX — agora demonstra sinais geoquímicos que reacenderam o nível de atenção dos especialistas.
Pesquisadores identificaram alterações significativas no lago formado dentro da cratera. O ambiente, antes conhecido pelos tons esverdeados provocados por algas, passou por uma transformação abrupta: sulfatos e sílica começaram a dominar a composição da água, indicando processos intensos ocorrendo nas profundezas do vulcão.
Outro dado que impressiona é a temperatura registrada no fundo do lago, que chegou a aproximadamente 118 °C, ultrapassando o ponto de ebulição em condições normais. Cientistas também detectaram maior concentração de cloretos e a formação de esferas de enxofre — evidências associadas à liberação ativa de gases subterrâneos.
As descobertas foram apresentadas por especialistas ligados ao Instituto de Geofísica da Universidade Nacional Autônoma do México, que defendem vigilância constante e controle rigoroso do acesso de visitantes à área da cratera. Embora não haja confirmação de uma erupção iminente, o conjunto de sinais sugere que o sistema vulcânico está longe de permanecer totalmente adormecido.
O histórico do El Chichonal pesa na preocupação. Sua grande erupção, em 1982, lançou enormes quantidades de cinzas na atmosfera e provocou efeitos climáticos perceptíveis em diversas partes do planeta. Agora, qualquer alteração relevante é acompanhada com máxima cautela.
Para moradores, autoridades e turistas, o recado da ciência é claro: o espetáculo natural continua fascinante, mas exige respeito — porque, quando um gigante desses desperta, os impactos podem ultrapassar fronteiras.

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Redação Brasil News