O que era para ser apenas mais um grande faroeste de Hollywood acabou se transformando em um dos episódios mais controversos da história do cinema. Lançado em 1956, The Conqueror, conhecido no Brasil como Sangue de Bárbaros, tornou-se alvo de debates após diversos integrantes da produção serem diagnosticados com câncer nos anos seguintes.
Estrelado por John Wayne e dirigido por Dick Powell, o longa foi filmado em uma região desértica do estado de Utah, próxima a áreas onde o governo americano havia realizado testes nucleares poucos anos antes das gravações.
Com o passar do tempo, surgiram relatos de que dezenas de pessoas envolvidas na produção desenvolveram diferentes tipos de câncer. Entre os casos mais conhecidos estão os de John Wayne e do próprio diretor Dick Powell, que acabaram falecendo após enfrentarem a doença.
Segundo levantamentos publicados pela imprensa norte-americana na década de 1980, dos cerca de 220 integrantes do elenco e da equipe técnica, 91 teriam recebido diagnóstico de câncer, enquanto 46 morreram em decorrência da enfermidade. Apesar dos números chamarem atenção, especialistas ressaltam que nunca foi possível comprovar cientificamente uma relação direta entre a exposição à radiação no local das filmagens e os casos registrados.
Mesmo sem uma conclusão definitiva, o episódio permanece como uma das maiores controvérsias da história de Hollywood e frequentemente é citado como exemplo dos riscos enfrentados por produções cinematográficas em uma época em que os efeitos da radiação ainda eram pouco compreendidos.
Até hoje, Sangue de Bárbaros continua sendo lembrado tanto pelo fracasso artístico quanto pela trágica história que cercou seus bastidores.
Foto: Reprodução/RKO Pictures
Redação: Ana Flavia