Escândalo no jornalismo: PF expõe controle de ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre editorial do Metrópoles após contrato de R$ 20 milhões.

Política

Uma investigação minuciosa conduzida pela Polícia Federal (PF) revelou um esquema estarrecedor de interferência editorial e submissão de conteúdo jornalístico aos interesses de um grande conglomerado financeiro. Mensagens de texto e arquivos extraídos do aparelho celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, comprovam que a cúpula do portal de notícias Metrópoles submetia matérias sensíveis sobre o mercado financeiro e a própria instituição ao crivo prévio do empresário antes da publicação oficial.

As apurações periciais apontam que o alinhamento promíscuo entre o empresário e a direção do veículo consolidou-se em 2024, período em que o Banco Master celebrou um contrato publicitário com o portal no valor global de R$ 20 milhões. A partir da assinatura do acordo milionário, estabeleceu-se um canal direto entre Vorcaro e a CEO do grupo Metrópoles, Lilian Tahan. Relatórios da PF identificaram que ao menos 14 reportagens foram enviadas antecipadamente ao ex-banqueiro para revisão, das quais 11 sofreram alterações diretas, cortes de dados incômodos ou reescritas completas atendendo a exigências explícitas do banqueiro.

A interferência do empresário no noticiário intensificou-se à medida que o Banco Master enfrentava grave crise de liquidez e buscava autorização do Banco Central (BC) para ser adquirido pelo Banco de Brasília (BRB). Vorcaro orientou mudanças em perfis e reportagens sobre diretores do BC que se opunham à transação, além de exigir o apagamento de trechos sobre ofertas simbólicas de venda do banco e menções a falências. O ex-banqueiro chegou a solicitar diretamente à direção do portal a retenção e contenção de nomes da oposição política do Distrito Federal que criticavam a operação de resgate financeiro.

A rotina de validação prévia manteve-se ininterrupta até a data em que Daniel Vorcaro foi preso em uma operação da Polícia Federal. Questionada pelos investigadores sobre os fatos, a CEO Lilian Tahan alegou que checar minutas com fontes empresariais e políticas é uma prática de rotina do veículo e defendeu que o contrato publicitário não influenciava a cobertura jornalística. Contudo, a cronologia detalhada nos laudos periciais da PF expõe a fragilização da autonomia editorial e o controle direto exercido pelo poder financeiro sobre a informação veiculada ao público.

Foto: Agência Brasil / Arquivo

Redação – Thiago Salles

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