A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) passou a enfrentar forte pressão política após um episódio ocorrido na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde utilizou maquiagem escura durante um discurso, gerando acusações de prática de “blackface”.
O caso provocou reação imediata de parlamentares, que protocolaram pedidos de cassação por quebra de decoro parlamentar. As representações apontam que a conduta pode ser considerada ofensiva e incompatível com o exercício do mandato, além de incluir falas classificadas como transfóbicas durante o pronunciamento.
Outro ponto que ampliou a polêmica foi a revelação de que a deputada se autodeclarou parda nas eleições de 2022. A informação consta nos registros da Justiça Eleitoral e, com base nessa classificação, ela recebeu recursos do fundo eleitoral destinados a candidaturas negras, conforme regras vigentes.
Pelas normas adotadas no Brasil, pessoas que se declaram pretas ou pardas são incluídas no grupo considerado negro para fins de políticas públicas, incluindo o financiamento eleitoral. O caso agora levanta questionamentos sobre possível uso indevido dessas cotas.
A parlamentar, por sua vez, nega irregularidades. Em nota, afirmou que não realizou “blackface” e classificou as acusações como distorções com objetivo de silenciar um debate político. Segundo ela, sua manifestação foi simbólica e teve como intenção discutir representatividade.
O episódio também motivou ações fora do Legislativo. Parlamentares acionaram o Ministério Público Federal e registraram ocorrências na Polícia Civil, solicitando investigação por possíveis crimes de racismo e transfobia.
Enquanto isso, o caso segue em análise no Conselho de Ética da Alesp, que poderá decidir sobre eventuais punições. A situação coloca a deputada no centro de um dos debates mais intensos recentes envolvendo comportamento parlamentar, identidade racial e limites da liberdade de expressão.
Foto: Reprodução/DivulgaCand
Redação – Thiago Salles