China suspende importação de carne uruguaia após detectar resíduos químicos.

Economia

O governo da China decidiu barrar parte das exportações de carne bovina provenientes do Uruguai após identificar resíduos de carrapaticida em lotes enviados ao país asiático. O episódio foi confirmado pelo ministro de Pecuária, Agricultura e Pesca, Alfredo Fratti, que classificou a situação como “preocupante” e afirmou que novas orientações já estão sendo adotadas para evitar reincidências.

Segundo o ministro, alguns embarques foram devolvidos e outros ainda estão sob avaliação. O problema ocorre, principalmente, por causa da diferença entre o ciclo de aplicação dos medicamentos e o tempo de carência exigido para a eliminação completa dos resíduos no organismo dos animais. “O intervalo entre a aplicação e o desaparecimento dos resíduos costuma ser de cerca de 40 dias, mas o ciclo do parasita é mais curto, em torno de 21 dias”, explicou Fratti à imprensa local.

Como resposta, o governo uruguaio anunciou a implementação de uma nova política de controle sanitário, que inclui rótulos mais claros nos produtos veterinários — com destaque para o tempo mínimo de carência — e o início de um programa nacional de vacinação contra carrapatos. Desenvolvida pelo Instituto Pasteur, a vacina deve estar disponível a partir de novembro, com aplicação prevista para o fim de 2025.

O presidente do Instituto Nacional de Carnes (INAC), Gastón Scaloya, lamentou o episódio e destacou que situações como essa colocam em risco a credibilidade conquistada pela carne uruguaia nos mercados internacionais. “Temos uma imagem de seriedade e qualidade que precisa ser preservada”, afirmou.

Entidades rurais reforçaram o alerta aos produtores e veterinários sobre a importância de seguir rigorosamente as recomendações de carência dos medicamentos. O Uruguai exporta cerca de 80% de sua produção de carne, e a China é o principal destino.

No Brasil, os períodos de carência para uso de carrapaticidas em bovinos de corte variam entre 21 e 35 dias, conforme o tipo de produto e a via de aplicação — medida obrigatória para garantir a segurança alimentar e o cumprimento das normas internacionais.

Foto: Adobe Stock

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