Adeus ao Brasil? Gigante Stellantis estuda puxar o tapete da Citroën e encerrar vendas no país.

Negócios

O mercado automobilístico brasileiro está prestes a sofrer um terremoto histórico. A gigante Stellantis — dona de um verdadeiro império que inclui Fiat, Jeep, Ram e Peugeot — está estudando seriamente encerrar as operações de venda da Citroën no Brasil. A informação de bastidores acendeu um sinal vermelho definitivo na indústria. Sob o comando do CEO Antonio Filosa, o conglomerado anunciou um plano estratégico agressivo e pragmático de R$ 350 bilhões para concentrar investimentos apenas onde existe grande escala e margem de lucro alta. Na prática, a Citroën virou o “patinho feio” do grupo por aqui.

A situação da marca francesa no país ficou insustentável por dois motivos principais: o encalhe nas lojas e a briga dentro de casa. Mesmo renovando toda a sua linha nos últimos anos com os lançamentos do C3, Aircross e Basalt, a Citroën ficou estagnada e só conseguiu bater metas apelando para descontos agressivos e frotistas. Para piorar, a Fiat vai lançar novos carros (como os novos Argo, Fastback e um SUV de 7 lugares) usando exatamente a mesma base da Citroën. Como a marca italiana tem muito mais força, rede de lojas gigante e moral com o consumidor, a Stellantis não vê sentido em gastar dinheiro mantendo duas linhas idênticas para canibalizarem uma à outra.

Sentindo o cheiro de queimado no ar, os donos de concessionárias Citroën já estão desesperados e buscando alternativas. Muitos estão aproveitando um plano de “hibernação” para fechar as portas por até três anos ou mudando de bandeira para a chinesa Leapmotor, nova aposta de elétricos do grupo. Por outro lado, a fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro, não deve fechar. A unidade vai ganhar uma sobrevida histórica ao passar a fabricar o Jeep Avenger, o novo SUV compacto da marca americana que promete bombar o mercado. Oficialmente, a Stellantis nega a saída e diz que a Citroën é relevante, mas os bastidores mostram que o esvaziamento comercial da marca francesa por aqui é um caminho sem volta.

Foto: Pedro Bicudo

Redação: Thiago Salles

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