A história da enfermeira Lidia Oliveira Cunha, de 55 anos, chama a atenção para os desafios enfrentados por pacientes com doenças autoimunes de difícil diagnóstico. Durante 11 anos, ela conviveu com tosse seca, cansaço intenso e falta de ar, acreditando sofrer de bronquite ou asma. Apenas após o agravamento do quadro veio a confirmação de que tinha fibrose pulmonar associada à esclerodermia.
A doença provoca cicatrizes permanentes no tecido pulmonar, reduzindo progressivamente a capacidade respiratória. Atualmente, Lidia depende de oxigênio suplementar por cerca de 18 horas por dia e relata dificuldades até mesmo para realizar tarefas simples, como tomar banho ou se vestir.
Especialistas alertam que sintomas como falta de ar persistente, tosse seca, fadiga e alterações na circulação das mãos, principalmente quando expostas ao frio, podem indicar doenças autoimunes que exigem investigação médica. O diagnóstico precoce é considerado fundamental para iniciar o tratamento antes que as cicatrizes nos pulmões se tornem irreversíveis.
Segundo médicos, mais de 70% das pessoas com esclerodermia apresentam algum comprometimento pulmonar ao longo da vida. Embora ainda não exista cura, medicamentos, fisioterapia respiratória e acompanhamento especializado ajudam a retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Uma nova esperança surgiu recentemente com a aprovação, pela Anvisa, de um medicamento indicado para casos de fibrose pulmonar progressiva. Apesar do avanço, o tratamento ainda depende da definição de preço e da futura incorporação aos sistemas público e suplementar de saúde.
Mesmo diante das limitações impostas pela doença, Lidia afirma que mantém o foco na qualidade de vida e incentiva outras pessoas a não ignorarem sintomas persistentes, reforçando que o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no tratamento.
Foto: Arquivo Pessoal
Redação – Ana Flavia