O que antes era apenas uma hipótese matemática acaba de se tornar realidade científica: Vênus esconde cavernas de proporções bíblicas sob seu solo escaldante. Pesquisadores da Universidade de Trento, na Itália, utilizando dados da sonda Magellan — coletados originalmente na década de 90 e processados com algoritmos modernos em fevereiro de 2026 — identificaram um tubo de lava colossal na região do vulcão Nyx Mons.
A estrutura é tão vasta que faz as maiores cavernas da Terra parecerem miniaturas. Enquanto o sistema Corona, na Espanha (o maior tubo de lava terrestre), possui cerca de 28 metros de largura, a caverna venusiana atinge impressionantes 937 metros de diâmetro médio. Com uma altura interna de 375 metros, a cavidade poderia abrigar a Torre Eiffel com folga. Segundo os especialistas, a gravidade diferenciada de Vênus e sua atmosfera densa permitiram que a lava criasse túneis protegidos por tetos de rocha de pelo menos 150 metros de espessura.
A detecção foi possível graças à identificação de um “skylight” — uma abertura causada pelo colapso parcial do teto da caverna. Esse buraco na superfície mede mais de 1,5 quilômetro de extensão. Estima-se que o sistema completo de túneis se estenda por pelo menos 45 quilômetros sob o vulcão, criando um ambiente subterrâneo que, embora ainda hostil, permanece protegido das variações extremas da superfície do planeta.
Essa descoberta já impacta as próximas grandes missões espaciais, como a VERITAS (NASA) e a EnVision (Agência Espacial Europeia), que agora terão como prioridade mapear esses vazios subsuperficiais. Além de revelar o passado vulcânico explosivo de Vênus, a confirmação dessas megaestruturas coloca o “planeta vizinho” no centro das atenções da exploração geológica espacial na próxima década.
Foto: NASA/JPL/Divulgação
Redação – Thiago Salles