Pesadelo de 34 anos: Inocente condenado por “ritual satânico” vence batalha judicial e receberá R$ 120 milhões.

Internacional

A justiça tardou, mas chegou com um valor histórico para Jeffrey Clark. O norte-americano, que foi protagonista de um dos erros judiciais mais dramáticos das últimas décadas, acaba de vencer um processo civil contra as autoridades de Louisville, no Kentucky. O estado terá de pagar cerca de R$ 120,44 milhões a Clark, que passou 22 anos e meio encarcerado por uma acusação de “assassinato satânico” que se provou ser uma farsa.

O caso remonta a 1992, quando a jovem Rhonda Sue Warford foi encontrada morta com múltiplos ferimentos de faca. Na época, a polícia e a promotoria, influenciadas pelo pânico satânico que dominava o imaginário americano, construíram uma tese de que Clark e seu amigo, Keith Hardin, teriam sacrificado a jovem em um ritual ocultista. Sem provas físicas sólidas, a condenação baseou-se em depoimentos duvidosos de detentos e na manipulação grosseira de evidências.

A farsa começou a desmoronar em 2016. Exames de DNA modernos provaram que os vestígios no local do crime não pertenciam aos acusados. Mais grave ainda: descobriu-se que o legista Bill Adams alterou a data da morte da vítima com uso de corretivo líquido em documentos oficiais para destruir o álibi de Clark. Com a anulação da sentença, ele foi libertado, mas o dano já estava feito.

“Finalmente sinto que posso acordar de um pesadelo de 34 anos”, desabafou Clark após a sentença da indenização. Para seu advogado, Elliot Slosar, nenhum valor apaga o fato de que Jeff entrou na prisão como um jovem e só saiu na meia-idade. A decisão serve como um alerta global sobre o perigo de investigações baseadas em preconceitos religiosos e manipulação de provas periciais.

Foto: Reprodução/Instagram

Redação – Thiago Salles

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