As emissões de metano continuam em níveis preocupantes em todo o mundo, acendendo um alerta entre especialistas e autoridades internacionais. Segundo a Agência Internacional de Energia, o volume liberado na atmosfera segue elevado, apesar de compromissos assumidos por países e empresas nos últimos anos.

O tema ganhou destaque em uma conferência internacional realizada na França, que reuniu líderes políticos, cientistas e representantes do setor energético para discutir estratégias de redução desse gás de efeito estufa. O encontro ocorreu dentro das ações da presidência francesa do G7.
O metano é considerado um dos principais responsáveis pelo aquecimento global. Embora menos falado que o dióxido de carbono, ele possui um poder de aquecimento significativamente maior e já responde por cerca de 30% do aumento da temperatura do planeta desde a Revolução Industrial.
Atualmente, cerca de 580 milhões de toneladas de metano são emitidas todos os anos, sendo que aproximadamente 60% têm origem em atividades humanas. A agricultura lidera esse ranking, seguida pelo setor energético, especialmente ligado à exploração de combustíveis fósseis como petróleo, carvão e gás natural.
Mesmo com iniciativas globais, o relatório mais recente da AIE aponta que as emissões relacionadas aos combustíveis fósseis atingiram cerca de 124 milhões de toneladas em 2025, mantendo-se em patamar elevado. O crescimento da produção energética, impulsionado pela demanda global, tem dificultado avanços mais significativos.
Um dos principais problemas está nos vazamentos e na queima ineficiente de gás durante processos industriais. Segundo especialistas, tecnologias já disponíveis poderiam evitar até 30% dessas emissões sem custo adicional, já que o gás capturado poderia ser reaproveitado e comercializado.
Além do impacto ambiental, a redução do metano também é vista como uma oportunidade estratégica. Em meio à crise energética global, agravada por tensões no Oriente Médio e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, especialistas apontam que a recuperação desse gás poderia aumentar a oferta e reduzir pressões sobre os preços.
De acordo com estimativas, seria possível recuperar cerca de 200 bilhões de metros cúbicos de gás por ano com medidas mais eficientes — volume significativo para o abastecimento global.
Autoridades internacionais reforçam que o combate às emissões de metano é uma das ações mais rápidas e eficazes para conter o aquecimento global, além de trazer benefícios diretos para a qualidade do ar, saúde pública e estabilidade energética.
O desafio, no entanto, continua sendo transformar compromissos em ações concretas, em um cenário onde interesses econômicos e demanda por energia ainda dificultam avanços mais rápidos.
Foto: Anthony Wallace
Redação – Thiago Salles