A rotina cada vez mais sedentária, marcada por longos períodos sentado e pouca atividade física, tem contribuído diretamente para o acúmulo de um tipo de gordura perigosa e silenciosa: a gordura visceral. Diferente da gordura subcutânea — aquela visível logo abaixo da pele — esse tipo se instala profundamente no abdômen, envolvendo órgãos como fígado, coração, pâncreas e intestinos.

O grande risco está no fato de que a gordura visceral é metabolicamente ativa. Isso significa que ela libera substâncias inflamatórias e hormônios que podem desregular o organismo como um todo. Com o tempo, esse processo favorece o desenvolvimento de problemas como resistência à insulina, aumento do colesterol, hipertensão e até doenças como Diabetes, doenças cardiovasculares e Esteatose hepática.
Mesmo pessoas que não aparentam estar acima do peso podem apresentar níveis elevados dessa gordura, o que torna o problema ainda mais preocupante. Por não ser visível, muitas vezes o diagnóstico só ocorre após alterações em exames ou surgimento de complicações.
O sedentarismo desempenha papel central nesse cenário. Com menos movimento, o corpo reduz o gasto energético e passa a armazenar com mais facilidade o excesso de calorias — especialmente na região abdominal. Além disso, a falta de atividade física diminui a sensibilidade à insulina e reduz a capacidade do músculo de queimar gordura, criando um ambiente propício para o acúmulo progressivo.
Estudos científicos reforçam esse impacto. Uma revisão sistemática publicada na revista PLOS ONE apontou que exercícios aeróbicos de intensidade moderada a alta são eficazes na redução da gordura visceral, mesmo sem mudanças na dieta. A pesquisa destaca que o excesso dessa gordura está ligado a uma série de distúrbios metabólicos que afetam diferentes órgãos e sistemas do corpo.
A boa notícia é que mudanças simples na rotina podem trazer resultados significativos. A prática regular de atividades como caminhada, corrida ou ciclismo, aliada a treinos de força, contribui diretamente para a redução da gordura visceral. Ajustes na alimentação, melhora da qualidade do sono e a redução do tempo sentado também são fatores essenciais nesse processo.
Entre as principais recomendações estão a realização de pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica, inclusão de exercícios de força duas vezes por semana, redução do consumo de alimentos ultraprocessados e pausas frequentes durante o dia para evitar longos períodos de inatividade.
Apesar de ser um problema silencioso, a gordura visceral pode ser controlada e reduzida com consistência e hábitos saudáveis. A atenção precoce é fundamental para evitar complicações futuras e preservar a saúde dos órgãos vitais.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas ou sinais de alterações metabólicas, procure um profissional de saúde.
Foto: Carlos Mendes
Redação – Thiago Salles