O programa de residência para milionários lançado pelo ex-presidente Donald Trump nos Estados Unidos apresentou resultados muito abaixo das expectativas iniciais do governo americano.
Conhecido como “Gold Card”, o projeto foi anunciado em 2025 com a proposta de permitir que estrangeiros obtivessem residência acelerada no país mediante o pagamento de US$ 1 milhão.
A expectativa era ambiciosa: arrecadar até US$ 1 trilhão e vender cerca de 200 mil vistos. No entanto, sete meses após sua implementação, os números mostram um cenário bem diferente.
De acordo com dados apresentados pelo secretário de Comércio Howard Lutnick, apenas 338 pessoas demonstraram interesse no programa até o momento.
Dessas, 165 chegaram a pagar a taxa inicial de US$ 15 mil para iniciar o processo. Em seguida, apenas 59 avançaram para a fase de análise detalhada dos dados.
Até o final de abril, somente uma pessoa efetivamente pagou o valor total de US$ 1 milhão e teve o visto aprovado.
Mesmo diante da baixa adesão, Lutnick afirmou que ainda existem “centenas de candidatos na fila”, tentando demonstrar otimismo quanto ao futuro do programa.
O Gold Card foi criado para substituir o tradicional visto EB-5, que exigia investimentos semelhantes, mas vinculados à geração de empregos nos Estados Unidos.
Além da modalidade individual, o novo programa também prevê que empresas possam pagar US$ 2 milhões para garantir residência a funcionários estrangeiros, além de uma taxa anual de manutenção.
Especialistas já apontavam dúvidas sobre a viabilidade do projeto antes mesmo de sua implementação. Um dos principais fatores é o número limitado de pessoas no mundo com patrimônio suficiente e interesse em migrar para os EUA.
Segundo estimativas da consultoria Knight Frank, existem cerca de 713 mil indivíduos no mundo com patrimônio acima de US$ 30 milhões — público-alvo do programa. No entanto, mais de 40% deles já vivem na América do Norte, reduzindo ainda mais o potencial de adesão.
O caso evidencia o desafio de transformar políticas migratórias baseadas exclusivamente em capital financeiro em estratégias de grande escala.
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Redação – Thiago Salles