Um dos casos mais emblemáticos de erro judicial nos Estados Unidos voltou a chamar atenção. Robert DuBoise passou 37 anos preso por um crime que não cometeu e só teve sua inocência reconhecida após a realização de exames de DNA, em Tampa.
DuBoise foi condenado ainda jovem, aos 18 anos, pelo estupro e assassinato de Barbara Grams, ocorrido em 1983. A sentença foi baseada principalmente no depoimento de um informante e em uma controversa análise de marcas de mordida, que à época indicava compatibilidade com a arcada dentária do acusado.
Inicialmente condenado à pena de morte, ele teve a sentença convertida em prisão perpétua pela Suprema Corte da Flórida alguns anos depois. Durante décadas, o caso permaneceu sem revisão significativa, mantendo DuBoise encarcerado.
A reviravolta ocorreu apenas em 2020, quando novas tecnologias permitiram a realização de exames de DNA nas evidências do crime. Os resultados descartaram completamente qualquer ligação de DuBoise com o assassinato e ainda apontaram outros dois suspeitos como possíveis responsáveis.
Após a libertação, o americano entrou com uma ação judicial contra a cidade de Tampa, autoridades policiais e o especialista forense envolvido no caso, alegando fabricação de provas e uso de métodos científicos inadequados durante o julgamento.
Embora os acusados neguem irregularidades, o caso resultou em um acordo aprovado pelas autoridades locais, garantindo uma indenização equivalente a cerca de R$ 70 milhões, que será paga de forma parcelada.
Ao comentar a decisão, DuBoise afirmou estar grato pela justiça finalmente reconhecida. Ele também destacou a importância de seu caso servir de exemplo para outras pessoas que possam estar enfrentando condenações injustas.
A história levanta debates sobre falhas no sistema judicial, o uso de provas questionáveis e a importância de avanços tecnológicos, como o DNA, na revisão de condenações.

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Redação – Thiago Salles