O setor de distribuição de gás natural no Brasil acendeu um alerta após projeções indicarem aumentos significativos nos contratos firmados com a Petrobras. Segundo representantes da indústria, os reajustes, que acompanham a variação do petróleo Brent, podem elevar os custos em cerca de 20% já a partir de maio.
A preocupação, no entanto, vai além do curto prazo. Estimativas apontam que, no segundo semestre, especialmente em agosto, os reajustes podem atingir níveis ainda mais elevados, com aumentos acumulados entre 50% e 60% em comparação aos valores praticados no início do ano.
A Abegás, que representa as distribuidoras, afirma que o setor não possui margem financeira para absorver impactos dessa magnitude. A entidade defende uma atuação mais efetiva do governo federal para equilibrar o mercado energético.
Nos últimos meses, o governo já implementou medidas para conter a alta de outros combustíveis, incluindo subsídios ao diesel, ao querosene de aviação e ao gás de cozinha. Para o setor de gás natural, porém, ainda não houve ações específicas.
Representantes da indústria argumentam que a ausência de incentivos pode comprometer a competitividade do gás natural frente a outras fontes de energia, inclusive aquelas consideradas mais poluentes. O cenário atual é influenciado também pelo contexto internacional, marcado por tensões geopolíticas que impactam diretamente o preço do petróleo.
Diante disso, cresce a pressão para que novas medidas sejam adotadas, evitando repasses expressivos ao consumidor final e possíveis impactos na economia.
Foto: Washington Alves
Redação – Thiago Salles