Motoristas brasileiros começaram a sentir no bolso os impactos da crise internacional envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. Na última terça-feira, diversos postos registraram aumento significativo no preço da gasolina e do diesel, mesmo sem anúncio oficial de reajuste por parte da Petrobras.

Em alguns locais, a gasolina chegou a subir cerca de R$ 0,30 por litro, enquanto o diesel teve aumento ainda mais expressivo, chegando a até R$ 1,00 por litro. A alta repentina gerou dúvidas sobre os motivos do reajuste e levou autoridades a investigar possíveis distorções no mercado.
A escalada de preços ocorre em um momento de forte instabilidade no mercado global de petróleo. A guerra no Oriente Médio elevou a volatilidade do barril do tipo Brent, que chegou a oscilar entre aproximadamente US$ 91 e quase US$ 120 durante o mesmo dia, antes de fechar próximo de US$ 99.
Mesmo com essas variações internacionais, a Petrobras informou que não anunciou aumento no preço dos combustíveis vendidos nas refinarias. A estatal afirma que sua estratégia comercial busca reduzir o impacto da volatilidade externa e garantir maior estabilidade no mercado interno.
Diante da situação, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma análise para verificar se existem possíveis práticas irregulares no repasse dos preços aos consumidores.
Entidades do setor também apontam dificuldades no abastecimento como um dos fatores que podem ter influenciado os preços. De acordo com representantes do comércio de combustíveis, algumas distribuidoras estariam oferecendo produtos a valores elevados ou reduzindo a oferta para determinados revendedores.
Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Minas Gerais, o Brasil ainda depende parcialmente da importação de combustíveis, o que torna o país sensível às oscilações do mercado internacional.
Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado, enquanto aproximadamente 10% da gasolina também vem do exterior. Essa dependência faz com que conflitos internacionais e mudanças no preço do petróleo influenciem diretamente os custos internos.
Representantes do setor ressaltam que os donos de postos não são os principais responsáveis pelos aumentos recentes, já que muitos estão pagando valores mais altos ao adquirir combustíveis das distribuidoras.

Apesar da preocupação com a alta de preços, especialistas afirmam que não há previsão de desabastecimento generalizado no país. A situação, no entanto, continua sendo monitorada pelas autoridades diante da instabilidade global no mercado de energia.
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Redação Thiago Salles