Fé sob suspeita: Justiça afasta gestora de irmandades católicas por esquema milionário e abandono de igrejas históricas.

Internacional

A Justiça do Rio de Janeiro determinou o afastamento cautelar de Brígida Rachid José Pedro da gestão de quatro irmandades católicas após o recebimento de denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. A decisão foi assinada pela juíza Renata de Freitas Ongaratto, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Comarca da Capital.

Com a aceitação da denúncia, Brígida passa à condição de ré, acusada de apropriação indébita e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, ela comandava havia cerca de 15 anos quatro irmandades católicas — entidades civis sem fins lucrativos responsáveis por preservar e administrar patrimônio religioso.

De acordo com o Ministério Público, o esquema teria começado após Brígida herdar, entre 2011 e 2012, duas irmandades: São Braz e Boa Morte. Às vésperas de assumir formalmente a gestão, ela teria criado a empresa Support Serviços Empresariais, apontada pelos investigadores como uma empresa de fachada, com capital social de apenas R$ 2 mil e sem funcionários registrados.

A denúncia afirma que a própria empresa era contratada para administrar imóveis pertencentes às irmandades, com cobrança de valores elevados por serviços que, em muitos casos, seriam simulados ou sequer prestados. Entre 2014 e 2024, o montante desviado teria ultrapassado R$ 12,7 milhões.

Enquanto o patrimônio pessoal da acusada crescia, o estado de conservação dos templos religiosos se deteriorava. Um dos exemplos citados é a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e Boa Morte, localizada no Centro do Rio de Janeiro, construída em 1785 e atualmente fechada ao público, com sinais evidentes de abandono estrutural.

A investigação também aponta que Brígida recebia pagamentos de aluguéis em dinheiro vivo dentro da sacristia da igreja e celebrava contratos de locação em seu próprio nome envolvendo imóveis das irmandades. E-mails de inquilinos anexados ao processo reforçam as suspeitas.

Um dos depoimentos considerados decisivos pela Justiça foi o de Aloysio Rachid José Pedro, irmão da acusada, que afirmou que a gestão era centralizada com o objetivo de enriquecimento pessoal, estimando o patrimônio atual da irmã em cerca de meio bilhão de reais — valor muito superior ao histórico financeiro da família.

Na decisão, a juíza destacou que manter Brígida no cargo poderia provocar danos irreversíveis ao patrimônio religioso e histórico. Segundo o texto, os desvios continuaram mesmo após o início das investigações, em 2018, o que justificou o afastamento imediato.

Além da destituição, a Justiça proibiu a acusada de acessar sedes, arquivos e contas bancárias das instituições religiosas. Após a decisão, a Mitra Arquidiocesana nomeou Ramon Assis da Silva como interventor e administrador provisório das entidades, com a missão de preservar o que resta do patrimônio.

Até o fechamento desta reportagem, a defesa de Brígida Rachid José Pedro não havia se manifestado.

Foto: Reprodução

Redação Brasil News

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