Presídios viram campo de guerra: gangues fazem dezenas de reféns e desafiam o Estado na Guatemala.

Internacional

A Guatemala viveu um sábado de extrema tensão após membros de gangues promoverem rebeliões simultâneas em diferentes presídios do país, mantendo mais de 40 pessoas reféns. A ação foi uma retaliação direta à transferência de chefes criminosos para o presídio de segurança máxima Renovación I, localizado em Escuintla, ao sul da capital.

As autoridades atribuíram os motins às gangues Barrio 18 e Mara Salvatrucha, organizações classificadas como terroristas tanto pelos Estados Unidos quanto pela Guatemala. Esses grupos são acusados de crimes como homicídios sob encomenda, extorsão e tráfico de drogas.

Segundo o governo, a retirada de privilégios e o isolamento das lideranças, transferidas ainda no ano passado para unidades de segurança máxima, vêm provocando reações violentas dentro do sistema prisional. No motim mais recente, nove guardas foram feitos reféns dentro do próprio Renovación I. Outros 28 agentes ficaram sob poder dos detentos no presídio Fraijanes II, enquanto mais nove pessoas — incluindo um sociólogo — foram retidas em um centro preventivo na periferia da capital.

Em coletiva, o ministro do Governo, Marco Antonio Villeda, foi enfático ao afirmar que o Estado não irá negociar com os amotinados. Segundo ele, não haverá reversão das transferências nem devolução de benefícios retirados dos presos. “Não podemos permitir que os centros prisionais sejam comandados pelos réus”, declarou.

Vídeos divulgados por veículos de imprensa locais, supostamente gravados pelos próprios detentos, mostram reféns pedindo um acordo com as autoridades. O governo, no entanto, reafirmou que todos estão vivos e que nenhuma concessão será feita sob ameaça.

O histórico recente aumenta a gravidade da situação. Em motins anteriores, um agente penitenciário morreu baleado. Já em outubro, uma fuga em massa envolvendo líderes da Barrio 18 resultou na queda da cúpula da segurança prisional, com apenas parte dos fugitivos recapturados.

O episódio escancara a fragilidade do sistema penitenciário guatemalteco e o confronto direto entre o Estado e organizações criminosas que, mesmo atrás das grades, seguem exercendo forte poder de articulação.

Foto: Handout / Ministério do Interior da Guatemala

Redação Brasil News

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