A crise envolvendo Eduardo Bolsonaro ganhou novos contornos nesta sexta-feira (2). Poucos dias após a cassação de seu mandato na Câmara dos Deputados, o ex-parlamentar foi oficialmente notificado para reassumir o cargo de escrivão da Polícia Federal, função que exercia antes de ingressar na vida política.
A determinação da PF estabelece que Eduardo retorne imediatamente às atividades na delegacia de Angra dos Reis, no litoral fluminense. A decisão, no entanto, provocou uma reação explosiva do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo apareceu visivelmente irritado e afirmou que não pretende se submeter à ordem. Ele questionou a legalidade da cassação de seu mandato, alegando que a decisão partiu da Mesa Diretora da Câmara e não do plenário, como prevê o rito legislativo. Segundo ele, a rapidez com que a perda do mandato foi publicada no Diário Oficial da União e seguida da convocação para retornar à PF indicaria uma articulação prévia.
Em tom agressivo, Eduardo fez ataques diretos à cúpula da Polícia Federal, classificando a corporação como instrumento de perseguição. Em publicação posterior na rede social X, comparou a PF à Gestapo, polícia política do regime nazista, e afirmou que não abrirá mão de sua “honra” para se submeter ao que chamou de “burocracia pública”.
Apesar da notificação oficial, o ex-deputado afirmou não ter condições de retornar ao Brasil neste momento. Segundo ele, há risco pessoal devido ao que define como perseguição judicial. Ainda assim, deixou claro que também não pretende pedir exoneração do cargo de escrivão, pois teme perder direitos vinculados à carreira, como aposentadoria, porte de arma e a pistola funcional.
O episódio amplia o embate entre Eduardo Bolsonaro e instituições do Estado brasileiro, em um momento de forte tensão política. A Polícia Federal, até o momento, não comentou publicamente as declarações do ex-parlamentar, mas a ordem de reapresentação segue válida e pode gerar novas consequências administrativas e judiciais caso não seja cumprida.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Redação Brasil News