O Chile deu um passo decisivo para fortalecer sua posição no mercado global de lítio. A estatal Codelco, maior produtora mundial de cobre, e a mineradora SQM, que conta com participação de capital chinês, anunciaram a criação de uma nova empresa voltada à exploração do chamado “ouro branco” no norte do país.
Batizada de Nova Andino Litio SpA, a sociedade público-privada será responsável pelas atividades de exploração, extração, produção e comercialização do lítio no Salar do Atacama, com operações previstas até o ano de 2060. O projeto recebeu aval de mais de 20 órgãos reguladores nacionais e internacionais, incluindo autoridades de países como Brasil, China, Arábia Saudita e membros da União Europeia.
A expectativa é que a nova empresa eleve a produção anual de lítio em cerca de 300 mil toneladas. Para efeito de comparação, o Chile produziu aproximadamente 243 mil toneladas do metal em 2022, consolidando-se como o segundo maior produtor mundial, atrás apenas da Austrália. O lítio é considerado estratégico para a transição energética, especialmente na fabricação de baterias para veículos elétricos.
Segundo Ricardo Ramos, gerente-geral da SQM, a parceria permitirá planejar o desenvolvimento do Salar do Atacama de forma integrada, atendendo à crescente demanda dos mercados globais. Atualmente, cerca de 22% da SQM pertencem à empresa chinesa Tianqi, o que reforça o interesse internacional no projeto.
A criação da Nova Andino Litio SpA faz parte da Estratégia Nacional do Lítio, lançada em 2023 pelo governo do presidente Gabriel Boric. O plano busca recolocar o Chile na liderança mundial da produção de lítio, posição perdida em 2016. Em 2024, o metal respondeu por cerca de 3% das exportações chilenas.
Pelo acordo, a Codelco deterá 50% das ações mais uma, garantindo o controle acionário. No entanto, nos primeiros anos, a SQM terá maior peso nas decisões administrativas e na condução do negócio. A partir de 2031, a estatal assumirá o comando da gestão.
Apesar do impacto econômico, a parceria gerou debates no país. A SQM foi privatizada durante a ditadura de Augusto Pinochet e esteve envolvida, anos depois, em escândalos de financiamento irregular de campanhas políticas. O acordo atual, contudo, estabelece que Julio Ponce Lerou, ex-controlador da empresa e genro de Pinochet, não poderá integrar a direção da nova sociedade.

Foto: Rodrigo Arangua
Redação Brasil News