Atos pelo país reúnem manifestantes contra anistia e redução de penas por ataques à democracia.

Brasil

Cidades de diferentes regiões do Brasil registraram, neste domingo (14), manifestações contrárias à proposta de anistia e à redução de penas para pessoas condenadas por participação na tentativa de ruptura democrática. Os atos foram organizados por partidos de esquerda, movimentos sociais e centrais sindicais, em reação direta à recente aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto de lei que modifica critérios de dosimetria das penas relacionadas aos ataques de 8 de janeiro.

As mobilizações ocorreram poucos dias após a votação do texto na Câmara, que terminou com 291 votos favoráveis e 148 contrários, em sessão realizada durante a madrugada. A proposta segue agora para análise do Senado Federal, onde deve enfrentar novo embate político.

Em São Paulo, a Avenida Paulista recebeu manifestantes durante a tarde. De acordo com levantamento do Monitor do Debate Político, do Cebrap/USP, em parceria com a ONG More in Common, cerca de 13,7 mil pessoas participaram do ato, número inferior ao registrado em manifestações semelhantes ocorridas em setembro. O evento contou com discursos de lideranças políticas, entre elas o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

No Rio de Janeiro, o protesto reuniu um público maior, estimado em aproximadamente 18,9 mil pessoas, segundo a mesma metodologia. Já em Brasília, os manifestantes se concentraram na região central da capital e seguiram em caminhada até o Congresso Nacional. A Polícia Militar do Distrito Federal não divulgou estimativa oficial de público.

As manifestações foram marcadas por críticas diretas ao Congresso Nacional e ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), apontado por lideranças governistas como responsável por levar o projeto à votação sem amplo debate prévio. Faixas e discursos defenderam a responsabilização integral dos envolvidos nos ataques às instituições democráticas.

O Partido dos Trabalhadores (PT) teve papel central na mobilização, com convocações feitas por dirigentes e perfis oficiais. Em redes sociais, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que os atos reforçam a rejeição popular a qualquer tentativa de anistia ou flexibilização das punições. Segundo ela, a população não aceita retrocessos na defesa da democracia.

Em outras capitais, como Salvador, Maceió e Belém, os protestos ocorreram ainda pela manhã, seguindo o mesmo tom de defesa das instituições e de crítica à proposta legislativa. Para parlamentares governistas, o projeto pode beneficiar diretamente figuras centrais investigadas e condenadas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja pena poderia ser reduzida caso o texto seja aprovado em definitivo.

Foto: Wilton Junior

Redação Brasil News

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