Brasília já vive a atmosfera da Marcha das Mulheres Negras 2025, que reúne milhares de mulheres vindas de todas as regiões do Brasil e de vários países. As participantes começaram a chegar desde ontem à Granja do Torto, onde foi montada uma ampla estrutura de acolhimento com 36 alojamentos preparados para receber as delegações.
O espaço oferece suporte completo, com áreas de descanso, atendimento médico, apoio psicológico, práticas de bem-estar, atividades infantis e espaços voltados ao cuidado emocional. Há ainda ambientes específicos para crianças, incluindo oficinas, cinema, recreação e suporte especializado para crianças com necessidades especiais.
Para lideranças religiosas e sociais presentes, como a Ialorixá de Oxum, do Rio de Janeiro, a marcha representa a defesa da vida em todas as suas formas. Segundo ela, o ato simboliza o direito à fé, à dignidade da juventude negra e à construção de uma sociedade com mais respeito e equidade. A líder também destacou que a população negra, especialmente as mulheres, ainda enfrenta insegurança, violência e retrocessos políticos.
A mobilização deste ano promete superar edições anteriores. Adriana Martins, integrante da coordenação do movimento no Sudeste, relembrou a edição histórica de 2015, quando cerca de 100 mil mulheres participaram do ato. Para 2025, a expectativa é reunir aproximadamente 350 mil mulheres em Brasília, com envolvimento de até 1 milhão de mulheres negras em todo o processo de mobilização. Delegações de cerca de 30 países da América Latina, Caribe e África também participam do evento.
A grande marcha acontecerá hoje, na área externa do Museu Nacional da República, com concentração a partir das 14h. O ato tem como pautas centrais a luta por justiça social, reparação histórica, combate ao racismo, valorização da cultura negra, garantia de direitos e fortalecimento das políticas públicas.

Foto: Minervino Júnior
Redação Brasil News