Considerado um dos biomas mais ricos do planeta, o Cerrado brasileiro guarda uma diversidade de frutas nativas que se tornaram símbolos culturais e também oportunidades de negócio para comunidades rurais. O interesse crescente por alimentos regionais, somado ao avanço de pesquisas científicas e iniciativas ambientais, tem impulsionado a valorização desses frutos.

Um dos exemplos desse movimento é o projeto Caminhos da Restauração, desenvolvido pelo Instituto Brasília Ambiental em parceria com o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal. A ação busca fortalecer a restauração ecológica e estimular o aproveitamento sustentável de produtos florestais não madeireiros, entre eles as frutas do Cerrado.
A seguir, conheça cinco das espécies mais representativas e com maior potencial econômico.
Pequi — o ícone do Cerrado
Com sabor marcante e aroma intenso, o pequi é uma das frutas mais conhecidas da região. Presente em pratos tradicionais como o arroz com pequi, também é amplamente utilizado na produção de óleos, cosméticos e licores.
Dados do IBGE mostram que ele é responsável por quase toda a atividade extrativista de frutos em Goiás. Apesar disso, seu cultivo comercial ainda pode crescer muito. Para garantir sustentabilidade, práticas de manejo que respeitem o ciclo natural da planta são essenciais.

Foto: Embrapa/Divulgação
Buriti — riqueza das veredas
Palmeira típica das áreas alagadas, o buriti produz frutos ricos em vitaminas e amplamente utilizados na indústria de alimentos e cosméticos.
O óleo extraído da polpa é valorizado por suas propriedades hidratantes e antioxidantes. Pesquisas da Embrapa destacam o buriti como alimento funcional e instrumento importante para geração de renda em comunidades tradicionais, desde que manejado de forma responsável.

Foto: Embrapa/Divulgação
Baru — a “amêndoa do Cerrado”
Cada vez mais popular entre consumidores que buscam alimentação saudável, o baru é uma oleaginosa nutritiva e versátil. Seu uso vai desde barras energéticas a farinhas e doces.
A Embrapa ressalta a importância da conservação das áreas de ocorrência natural da espécie, garantindo sustentabilidade econômica aos produtores e preservação genética da planta.

Foto: Embrapa/Divulgação
Araticum — sabor marcante e potencial industrial
Também chamado de marolo, o araticum é apreciado tanto ao natural quanto em receitas como sorvetes, sucos e geleias.
Além da culinária, estudos evidenciam seu potencial nutricional e medicinal, despertando interesse crescente da indústria alimentícia. O manejo adequado pode transformar a fruta em importante fonte de renda no Cerrado.

Foto: Embrapa/Divulgação
Jatobá — versatilidade e tradição
O jatobá se destaca não apenas pelos frutos, mas pela variedade de usos. Sua polpa farinácea é aproveitada em bolos, farinhas e bebidas, enquanto a casca e a resina possuem aplicações medicinais.
A madeira também é valorizada, e a espécie é frequentemente utilizada em projetos de recuperação ambiental. Em sistemas agroflorestais, seu cultivo gera ganhos econômicos e ambientais.
As frutas do Cerrado representam muito mais do que alimentos: são expressões da identidade cultural brasileira e caminhos concretos para o desenvolvimento sustentável. Fortalecer pesquisas, incentivar o cultivo responsável e divulgar esses produtos são passos fundamentais para que essa riqueza natural continue beneficiando produtores e consumidores.

Foto: Embrapa / Divulgação
Redação Brasil News