O cânhamo, uma variedade da Cannabis sativa com baixo teor de THC, está ganhando destaque no agronegócio brasileiro como uma das culturas mais promissoras e rentáveis da atualidade. Diferente da cannabis medicinal, usada para fins terapêuticos e com concentrações elevadas da substância psicoativa, o cânhamo tem uso exclusivamente industrial e não provoca efeitos alucinógenos.

Seus derivados são amplamente utilizados em diversos setores: tecidos, cosméticos, alimentos, bioplásticos, biocombustíveis e até materiais de construção ecológica. Além da versatilidade, a planta apresenta alto potencial econômico e ambiental, podendo gerar lucro estimado em R$ 23 mil por hectare, segundo estudo da consultoria Kaya Mind — valor cerca de 11 vezes maior que o da soja.
Além da rentabilidade, o cânhamo é considerado um aliado da sustentabilidade. Ele cresce em até 100 dias, exige poucos insumos, melhora a estrutura do solo e capta grandes quantidades de CO₂, o que o torna um importante componente da chamada “revolução verde” no campo. A cadeia produtiva também gera até 17 empregos por hectare cultivado, segundo experiências de países como a Colômbia e o Canadá.
🌱 Situação legal e avanços no Brasil
Atualmente, o cultivo do cânhamo ainda não é plenamente liberado no país, mas o cenário vem mudando. Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a planta com menos de 0,3% de THC não deve ser classificada como ilegal, abrindo caminho para o desenvolvimento do setor.
A Anvisa já autorizou mais de 50 produtos à base de canabidiol (CBD) e trabalha na revisão da Resolução RDC 327, que deve ampliar as regras para produção e comercialização até o final de 2025. Paralelamente, o Projeto de Lei 399/2015, em tramitação no Congresso Nacional, propõe regulamentar o cultivo da cannabis medicinal e do cânhamo industrial.
🌾 Potencial econômico e científico
Segundo a Embrapa, o cânhamo pode se tornar uma nova fronteira agrícola no Brasil. A instituição possui 43 unidades de pesquisa e mais de 600 laboratórios, aptos a desenvolver uma cadeia produtiva rastreável e sustentável.
“O cânhamo tem potencial para integrar programas de bioeconomia, agregando valor e promovendo desenvolvimento ambiental e social”, afirma a pesquisadora Beatriz Emygdio, da Embrapa Agroenergia.
Estudos de mercado indicam que, com a regulamentação, o setor pode movimentar R$ 5 bilhões em quatro anos, com arrecadação tributária estimada em R$ 330 milhões.
🚜 O agro já se prepara
Mesmo antes da liberação definitiva, grandes grupos agrícolas, startups e investidores já se organizam para iniciar cultivos experimentais e desenvolver tecnologias adaptadas ao clima brasileiro. O interesse é impulsionado não apenas pela lucratividade, mas também pela demanda crescente por produtos sustentáveis e biodegradáveis.
Enquanto a legislação ainda avança, o cânhamo se firma como símbolo de inovação e sustentabilidade no campo brasileiro — uma cultura que une rentabilidade, ecologia e geração de empregos, abrindo caminho para uma nova era verde no agronegócio.
📸 Foto: Thiago Pereira / Brasil News