O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta semana que o país voltará a realizar testes com armas nucleares, algo que não acontecia desde 1992. A decisão, anunciada nas redes sociais pouco antes de um encontro com o presidente chinês Xi Jinping, foi justificada como uma medida para garantir que os EUA “não fiquem atrás” de outras potências militares.
Trump afirmou ter instruído o Departamento de Defesa a iniciar imediatamente os preparativos para os novos testes. Segundo ele, programas nucleares de Rússia e China estariam avançando rapidamente, colocando os EUA em desvantagem estratégica.
O anúncio surge dias após denúncias feitas pelo próprio Trump sobre testes russos com mísseis de propulsão nuclear e drones submarinos capazes de carregar ogivas. Embora tais testes não envolvam explosões atômicas, a movimentação reacende preocupações sobre uma nova corrida armamentista.
Atualmente, os Estados Unidos mantêm um arsenal estimado em 5.225 ogivas nucleares, contra 5.580 da Rússia e cerca de 500 da China, segundo a Associação de Controle de Armas. Especialistas alertam que a medida pode fragilizar o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START), que expira em 2026 — o último acordo vigente entre Washington e Moscou para limitar o número de ogivas implantadas.
A retomada de testes nucleares seria uma mudança histórica na política de segurança americana, rompendo uma moratória estabelecida há mais de 30 anos, no fim da Guerra Fria. O último teste nuclear dos EUA ocorreu em 23 de setembro de 1992, no deserto de Nevada.
Enquanto críticos afirmam que a decisão aumenta o risco de uma nova era de tensão militar global, aliados de Trump defendem que a medida é uma resposta necessária ao avanço tecnológico de outras potências.
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