Na manhã desta terça-feira, 28 de outubro, moradores do Complexo do Alemão relataram uma situação de emergência e horror na comunidade carioca, onde uma operação policial de larga escala mobilizou cerca de 2 500 agentes para atuar contra a facção Comando Vermelho.
Segundo o líder comunitário Raull Santiago, que conhece a região há 36 anos e atua no coletivo Papo Reto, “as crianças estão vendo os 60 corpos” — trecho que descreveu o trauma vivenciado por menores expostos aos confrontos e à violência.
Ele relata mensagens de socorro de vizinhos e famílias que encontraram moradores baleados dentro de casa, crianças em crise, ataques de nervo, e ambientes destruídos ou alvo de tiros.
A operação, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, já contabiliza ao menos 64 mortos e mais de 80 detidos, segundo balanços oficiais.
Escolas foram suspensas ou nem abriram — no total, cerca de 87 unidades foram afetadas, impactando quase 29 mil alunos.
Enquanto isso, vias expressas foram bloqueadas, ônibus utilizados como barricadas e drones com explosivos disparados por criminosos intensificaram o cenário de guerra urbana.
Para os moradores, além do medo imediato, resta a interrupção de direitos básicos — como estudo, trabalho, liberdade de ir e vir — e a angústia de sobreviver em meio a tiroteios e abatimento coletivo.
Até o momento, o governo estadual não divulgou esclarecimentos completos sobre as circunstâncias das mortes nem sobre os mecanismos de apoio emergencial aos afetados — o que deixa a comunidade em estado de alerta.
Foto: Pedro Kirilos