O Departamento de Defesa dos Estados Unidos confirmou, nesta sexta-feira (24), o envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford — considerado o maior e mais avançado navio de guerra do mundo — para águas da América Latina. A medida faz parte de uma nova ofensiva militar antidrogas, que amplia a presença americana na região.
De acordo com o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, a mobilização busca “detectar, monitorar e neutralizar atividades ilícitas” ligadas ao narcotráfico, especialmente em áreas próximas à Venezuela e à Colômbia. O Ford estará acompanhado por navios de guerra, aviões de ataque e cerca de 5 mil militares, sob comando do Comando Sul dos EUA.
Atualmente, o navio está em missão no Mar Adriático, participando de exercícios da OTAN, e deve levar alguns dias até alcançar o novo destino. Segundo oficiais da Marinha americana, essa é uma das maiores movimentações navais dos EUA na região em décadas, comparável apenas a ações estratégicas no Oriente Médio.
A operação reforça a política de segurança do governo Donald Trump, que tem intensificado ataques contra barcos suspeitos de contrabandear drogas. Até o momento, 10 ações militares já foram realizadas, resultando em 43 mortes em águas do Caribe e do Pacífico.
Nos últimos meses, Washington passou a tratar cartéis latino-americanos como organizações terroristas, equiparando-os a grupos como a Al-Qaeda. A decisão, no entanto, é criticada por juristas e especialistas em direito internacional, que apontam possível violação de tratados humanitários.
O secretário de Defesa Pete Hegseth afirmou nas redes sociais que “os narcoterroristas serão combatidos como inimigos de guerra”, destacando que os ataques seriam uma forma de proteger os Estados Unidos das consequências do tráfico e do avanço do fentanil e da cocaína.
Apesar do discurso, especialistas alertam que a legalidade dessas operações é questionável, já que o uso da força letal contra suspeitos civis contraria normas internacionais. Tradicionalmente, o combate marítimo ao tráfico é conduzido pela Guarda Costeira, e não pelas forças armadas.
Com mais de 80 mil mortes por overdose registradas nos EUA no último ano, o governo americano tenta justificar a ofensiva como resposta de segurança nacional. No entanto, analistas afirmam que a estratégia também serve para aumentar a influência militar dos EUA no Caribe e na América do Sul, áreas historicamente sensíveis do ponto de vista geopolítico.
O USS Gerald R. Ford, avaliado em US$ 13 bilhões, é capaz de transportar mais de 75 aeronaves e possui sistemas de propulsão nuclear e armas de última geração. Sua chegada às águas latino-americanas marca um dos maiores deslocamentos navais do século no continente.
Foto: Jonathan Klein/AFP