A pesquisadora Mariângela Hungria, da Embrapa Soja, receberá nesta quinta-feira (23) o World Food Prize 2025, principal premiação internacional voltada à inovação na produção de alimentos. Conhecido como o “Nobel da Agricultura”, o prêmio é concedido a cientistas e líderes que contribuem para a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável.
A cerimônia acontece em Des Moines, nos Estados Unidos, e reconhece as mais de quatro décadas de pesquisa da cientista brasileira, que revolucionou o uso de microrganismos na agricultura. Hungria liderou o desenvolvimento de mais de 30 tecnologias aplicadas a diversas culturas — como soja, feijão, milho e trigo — que reduziram drasticamente o consumo de fertilizantes nitrogenados e as emissões de gases de efeito estufa.
Entre as principais inovações está a inoculação de soja com bactérias do gênero Bradyrhizobium, responsável por aumentar a produtividade sem necessidade de adubação química. Também é dela a coinoculação com Azospirillum brasilense, tecnologia já utilizada em cerca de 35% das lavouras brasileiras. Somadas, essas soluções resultaram em economia superior a US$ 25 bilhões e evitaram a liberação de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂.
Em declaração à imprensa, Hungria dedicou o reconhecimento à ciência pública brasileira e aos 40 anos de apoio da Embrapa.
“A Embrapa acreditou quando poucos acreditavam. Hoje, o Brasil é referência global no uso de bioinsumos e na agricultura de baixo carbono”, afirmou.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, celebrou a conquista destacando o impacto do trabalho da pesquisadora.
“Mariângela representa o compromisso da ciência brasileira com a sustentabilidade e serve de inspiração para jovens cientistas, especialmente mulheres”, disse.
O World Food Prize, criado em 1986 por Norman Borlaug, reconhece anualmente contribuições que ampliam o acesso e a qualidade dos alimentos no mundo. Entre os brasileiros já laureados estão Alysson Paulinelli, Edson Lobato e Luiz Inácio Lula da Silva.
Com a nova conquista, o nome de Mariângela Hungria reforça o papel da Embrapa e da pesquisa nacional na construção de uma agricultura mais eficiente, sustentável e capaz de alimentar o planeta com menos impacto ambiental.
Foto : Embrapa/Divulgação