Impasse sobre corpos de reféns ameaça cessar-fogo e aumenta pressão internacional sobre o Hamas.

Internacional

O acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas enfrenta o seu momento mais delicado desde a assinatura, após o grupo palestino admitir dificuldade em encontrar os corpos de reféns israelenses mortos durante os bombardeios na Faixa de Gaza.

O problema ameaça comprometer a primeira fase do acordo, que previa a troca de reféns e prisioneiros sob supervisão internacional. Segundo o Hamas, apenas os corpos localizados até o momento foram entregues, enquanto os demais seguem soterrados nos escombros provocados pelos ataques de 2023.

Até sexta-feira (17/10), Israel havia recebido nove dos 28 corpos e confirmado a libertação de 20 reféns com vida. O governo israelense, contudo, acusou o Hamas de descumprir o acordo e de reter informações sobre o paradeiro dos demais reféns.

Em meio às tensões, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsável por intermediar o cessar-fogo ao lado de Catar, Egito e Turquia, elevou o tom. “Se o Hamas continuar matando pessoas em Gaza, não teremos escolha a não ser agir diretamente”, disse o mandatário em pronunciamento.

Especialistas avaliam, porém, que o retorno imediato da guerra é improvável. O historiador João Miragaya, do Instituto Brasil-Israel, afirma que “Washington dificilmente apoiará um novo conflito, pois isso contrariaria seus aliados no Oriente Médio”.

Enquanto isso, o Hamas pediu em nota para que as nações mediadoras intensifiquem a pressão sobre Israel a fim de dar sequência às próximas etapas do acordo, incluindo a entrada de ajuda humanitária, a reabertura do cruzamento de Rafah e a reconstrução de Gaza.

O cenário, no entanto, continua instável — e qualquer novo impasse poderá determinar o futuro da trégua mais frágil dos últimos anos no Oriente Médio.

Foto: Majdi Fathi/NurPhoto via Getty Images)

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