Transformação logística: Estreito de Ormuz pode se tornar “obsoleto” em cinco anos, avalia CEO do HSBC.

Economia

O investimento acelerado em rotas logísticas e infraestruturas alternativas no Golfo Pérsico pode alterar profundamente a dependência global do Estreito de Ormuz. Durante sua participação no HSBC Future Forum, realizado nesta terça-feira (20) em Dubai, o presidente-executivo do grupo bancário, Georges Elhedery, projetou que a via marítima estratégica — historicamente responsável pelo escoamento de um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) — pode se tornar “desnecessária” ou obsoleta no prazo de cinco anos.

As instabilidades geopolíticas recorrentes e as tensões militares envolvendo o Irã forçaram os governos da região a redirecionar bilhões de dólares para o desenvolvimento de dutos terrestres com conexão direta a portos fora do gargalo marítimo. Segundo a avaliação de Elhedery, esses aportes estruturais garantirão que as economias do Golfo Pérsico superem as consequências das crises geopolíticas e retomem o ritmo de expansão econômica a médio prazo.

Levantamento divulgado pelo HSBC aponta que a região do Oriente Médio, Norte da África e Turquia soma cerca de US$ 872 bilhões em pacotes de projetos individuais já previstos, inseridos em um plano de infraestrutura ainda mais amplo avaliado em US$ 1,4 trilhão. Apesar de o Banco Mundial prever uma retração de 1,3% na economia regional para este ano devido aos impactos de conflitos armados e ataques de grupos militantes, pesquisas com mais de 2,4 mil investidores institucionais confirmam que o Golfo segue sendo visto como um polo altamente atraente para capital global.

A transformação logística reflete uma mudança de paradigma para o mercado energético global, reduzindo a vulnerabilidade das cadeias de suprimento a bloqueios militares na garganta de Ormuz. Com o avanço das obras de escoamento alternativo, a expectativa do setor financeiro é de uma recuperação sustentável para a região nos próximos anos, consolidando novas rotas de exportação para a Ásia e o Ocidente.

Foto: HSBC / Divulgação

Redação – Thiago Salles

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