Em um movimento sem precedentes que eleva ao máximo a tensão geopolítica entre Washington e Havana, o procurador-geral do estado da Flórida, James Uthmeier, anunciou a emissão de um mandado de prisão formal contra o ex-presidente de Cuba, Raúl Castro. Aos 95 anos de idade, o irmão e sucessor político de Fidel Castro é acusado pelas autoridades judiciais norte-americanas do crime de conspiração em homicídio de primeiro grau.
A acusação criminal fundamenta-se no dramático episódio ocorrido em fevereiro de 1996, quando caças militares da Força Aérea Cubana derrubaram dois aviões civis desarmados pertencentes à organização de dissidentes cubano-americanos “Brothers to the Rescue” (Irmãos ao Resgate). A entidade operava a partir de Miami auxiliando cubanos que tentavam atravessar o Estreito da Flórida por via marítima. O ataque culminou na morte de todos os quatro tripulantes a bordo, ato que, segundo Uthmeier, foi ordenado diretamente por Raúl Castro a “sangue-frio”.
A nova medida judicial na Flórida soma-se ao indiciamento do líder cubano promovido pela Justiça Federal dos EUA em maio, no contexto do endurecimento das sanções e da pressão política exercida pela administração do presidente Donald Trump contra o regime comunista da ilha. A cartada legal ocorre na esteira da recente captura do ex-mandatário venezuelano Nicolás Maduro, ação também respaldada por denúncias criminais apresentadas por tribunais norte-americanos.
Em resposta às decisões anunciadas pelos órgãos de justiça dos Estados Unidos, o atual presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, repudiou veementemente a expedição do mandado contra Raúl Castro. O chefe de Estado cubano classificou as denúncias judiciais como fabricadas e acusou a Casa Branca de tentar criar pretextos legais e narrativas para fundamentar uma eventual e “louca agressão militar” direta contra o território cubano.
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Redação – Thiago Salles