Um crime brutal motivado por ciúmes doentios e sentimento de vingança chocou os moradores de Ceilândia, no Distrito Federal. O cantor Arlandson de Sousa Alves, de 26 anos, conhecido no meio artístico como Alan Tons, e sua companheira, Larissa Rodrigues de Paula, de 24 anos, foram executados a tiros dentro da própria residência por volta das 2h50 da madrugada. Segundo as apurações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o artista era o alvo principal do atirador, enquanto a jovem acabou sendo assassinada friamente apenas por estar presente no momento da invasão, configurando uma trágica queima de arquivo.
Os principais suspeitos de articularem e executarem o ataque são João Victor Rodrigues Alves de Oliveira e Tancredo Pereira da Silva, de 41 anos, ambos ex-vizinhos que já haviam morado no mesmo complexo de kitnets das vítimas. De acordo com as declarações do delegado responsável pelo caso, Ataliba Neto, a motivação central gira em torno de uma desconfiança infundada de que o cantor estaria interessado nas companheiras dos suspeitos. Em depoimento prestado à polícia, a mulher de Tancredo negou qualquer investida por parte do músico, mas confirmou que o parceiro alimentava ciúmes e desconfiava das atitudes do vizinho quando consumia bebidas alcoólicas.
A localização e prisão de Tancredo foram viabilizadas graças a um depoimento crucial e a áudios estarrecedores entregues à polícia por um motorista de aplicativo. Durante a corrida realizada na madrugada do crime até as imediações da casa das vítimas, o suspeito exibiu uma pistola com dois carregadores cheios e perguntou ao condutor o que ele faria caso outro homem paquerasse sua mulher, afirmando categoricamente que iria se vingar. Pouco tempo após desembarcar o passageiro, o motorista gravou um áudio em que é possível ouvir o som claro dos disparos de arma de fogo, áudio este que já foi anexado ao inquérito policial juntamente com registros de câmeras de segurança do local.
Além do ciúme doentio, o histórico de atritos entre os envolvidos revela outros episódios de violência. O segundo suspeito, João Victor, possui duas passagens anteriores por violência doméstica e já havia sido repreendido por Alan e Larissa no passado devido a agressões cometidas contra a própria companheira. Após ser solto em sua última prisão, ele teria ameaçado se vingar do casal. Embora tenha se apresentado à delegacia negando participação e alegando estar em um estabelecimento comercial na hora dos fatos, contradições em seu relato levaram os investigadores a apurar se ele atuou na facilitação da entrada do executor ou na entrega das chaves do imóvel. A PCDF segue trabalhando para esclarecer a exata divisão de tarefas da dupla no planejamento da execução.
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Redação – Thiago Salles