A trajetória da pequena Vitória começou a ser acompanhada com apreensão ainda durante a gravidez. Nos exames de ultrassom realizados em Santa Catarina, os médicos identificaram uma fissura labiopalatina e uma estagnação no crescimento do perímetro cefálico, indicando que a bebê corria risco de vida antes mesmo de nascer. Contrariando as estimativas mais rígidas da medicina, Vitória nasceu em 5 de setembro de 2023.
Após passar o primeiro mês de vida internada na UTI neonatal em Florianópolis, a menina passou por uma rigorosa investigação clínica que confirmou o diagnóstico de microcefalia e da Síndrome de Seckel — uma condição genética hereditária e sem cura, caracterizada por baixa estatura, atrasos motores e intelectuais severos. A partir dos seis meses, a garota iniciou uma rotina multidisciplinar intensa de terapias, com acompanhamento em fonoaudiologia, fisioterapia, musicalização e neurologia.
Mãe de três crianças — incluindo uma filha de 5 anos autista de nível 2 de suporte e um bebê de 1 ano —, Suellen Lezan decidiu criar um perfil nas redes sociais para transformar a dor do incerto em rede de apoio para outras famílias. Na página, a catarinense expõe a rotina sem filtros, comemorando gestos simples, como a recente cirurgia de correção do lábio e o momento em que a filha deu seus primeiros passos segurando em sua mão.
Com publicações que acumulam milhões de visualizações, Suellen reforça que a régua do desenvolvimento de crianças atípicas é única. As postagens se tornaram uma referência de leveza para milhares de mães que buscam acolhimento para lidar com diagnósticos complexos e o preconceito.

Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução Instagram – Redação – Thiago Salles