O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) virou centro de uma nova controvérsia jurídica que pode resultar em responsabilização criminal grave. O parlamentar divulgou em suas redes sociais um relatório atribuído à Polícia Federal que atestava a inexistência de irregularidades em suas conversas com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A corporação, no entanto, desmentiu categoricamente a autenticidade do documento.
Checagens periciais e verificações técnicas apontaram que o arquivo publicado pelo deputado foi gerado por inteligência artificial, contendo marcas d’água digitais associadas a ferramentas da OpenAI, além de rasuras, erros de cronologia e citações a páginas inexistentes nos autos oficiais. O laudo falso foi publicado por Nikolas logo após reportagens do ICL Notícias revelarem áudios em que o congressista pedia favores comerciais a Vorcaro em nome de um ex-assessor.
A repercussão tomou dimensões políticas no Congresso. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) acionou as redes sociais para cobrar apuração rigorosa sobre o episódio, destacando que a fabricação e o uso de papéis públicos adulterados configuram condutas criminosas gravíssimas. Juristas reforçam que, pelos artigos 297 e 304 do Código Penal, os crimes de falsificação e uso de documento público falso preveem penas que variam de dois a seis anos de reclusão, além de multa.
Em sua defesa, Nikolas Ferreira alegou que apenas compartilhou um material recebido de terceiros e que desconhecia a falsidade do arquivo. Caso as autoridades abram inquérito e comprovem a participação direta do deputado na fabricação do laudo ou o dolo na utilização consciente de uma fraude para enganar a opinião pública, o parlamentar poderá responder formalmente perante o Supremo Tribunal Federal (STF).
Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Redação – Thiago Salles