A candidatura de Carlos Sadi, conselheiro de oposição e pai da jornalista da TV Globo Andréa Sadi, à vice-presidência do São Paulo Futebol Clube tornou-se insustentável. O estopim para a crise política no Morumbi foi uma entrevista concedida ao canal São Paulo Digital, na qual o dirigente disparou frases classificadas como abertamente preconceituosas e higienistas.
Durante a conversa, Sadi tentou criticar a atual gestão da diretoria são-paulina atacando o perfil socioeconômico da torcida e de regiões da capital paulista. “O São Paulo perdeu o glamour. ‘Ah, você é saudosista’. Eu não sou saudosista, pô. Se eu não tivesse glamour, ia torcer para o Corinthians e ia para Itaquera, não ia para o Morumbi. Desculpe, eu sou mesmo elitista”, afirmou o conselheiro.
Na sequência da fala, o dirigente subiu o tom do preconceito ao citar Paraisópolis, comunidade vizinha ao estádio do Morumbi, para criticar a presença de novos conselheiros no clube. “Você botou o baixo clero para trabalhar aqui dentro, velho. Desculpa, você casou com a mulher de Paraisópolis e a família inteira está morando com você”, disparou Sadi, ignorando a massa de torcedores do próprio clube que vive nessas regiões.
As declarações provocaram forte repúdio entre são-paulinos, corintianos e membros da própria chapa liderada por Marcelinho Portugal Gouvêa, que avalia a retirada imediata do seu nome da disputa. Pressionado, Carlos Sadi divulgou uma retratação em vídeo alegando ter tido uma “falha de oratória” e afirmando ser um “trabalhador simples”, mas o pedido de desculpas não conteve a onda de indignação pelo tom das ofensas discriminatórias.
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Redação – Thiago Salles