O Brasil deu um salto decisivo rumo à soberania científica e à independência tecnológica na área de saúde. O Ministério da Saúde anunciou o início da fase de testes clínicos em humanos da primeira vacina contra a Covid-19 desenvolvida totalmente no país com a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com o instituto Bio-Manguinhos.
A aprovação concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o recrutamento de voluntários para a avaliação da segurança e da resposta imunológica do produto como dose de reforço. O acompanhamento dos participantes se estenderá ao longo de 12 meses. Após resultados promissores na fase pré-clínica, o projeto inicia seus ensaios em humanos com previsão de consolidação no início de 2027.
O avanço integra um pacote de investimentos federais de R$ 210 milhões distribuídos entre a Fiocruz, o Instituto Butantan e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A versatilidade da plataforma de mRNA — reconhecida mundialmente e laureada com o Prêmio Nobel — permite adaptar a instrução genética do imunizante para enfrentar outros alvos urgentes, como leishmaniose, malária, doença de Chagas, dengue e tratamentos voltados à oncologia.
A iniciativa conta com a cooperação internacional e o apoio estratégico do BNDES e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), fortalecendo o parque produtivo nacional para que o Brasil reduza drasticamente a dependência de insumos farmacêuticos e vacinas importadas de países estrangeiros.
Foto: Peter Ilicciev / Fiocruz
Redação – Thiago Salles