Comandantes de quatro estrelas das Forças Armadas dos Estados Unidos alertaram formalmente o secretário de Defesa, Pete Hegseth, de que a manutenção da guerra contra o Irã se tornou “insustentável” a longo prazo. Segundo informações reveladas pelo jornal The Washington Post, os chefes do Exército, da Marinha e da Força Aérea, juntamente com líderes dos Comandos Europeu, do Pacífico e Sul, expressaram formalmente sua discordância quanto à prorrogação da presença de tropas e do envio massivo de equipamentos militares para o Oriente Médio.
Os alertas constam na edição do Livro de Ordens do Secretário de Defesa (SDOB), documento altamente confidencial emitido pelo Pentágono que detalha a alocação e prontidão dos recursos de defesa do país. Os comandantes ressaltaram que o deslocamento contínuo de navios de guerra, destróieres, aeronaves e sistemas de defesa aérea — como o estoque de mísseis Patriot — para o conflito no Irã reduziu drasticamente a capacidade de resposta das Forças Armadas em outras regiões estratégicas do globo e comprometeu o treinamento de novas tropas.
O alerta mais severo foi apresentado pelo chefe de Operações Navais da Marinha americana, almirante Daryl Caudle, que indicou que apenas cerca de um quarto da frota de destróieres do país permanece pronta para mobilização imediata devido ao bloqueio aos portos iranianos determinado pelo presidente Donald Trump. Enquanto o governo americano sustenta que a infraestrutura militar do Irã está degradada, Teerã nega ter cedido às exigências e mantém retaliações com mísseis balísticos contra posições aliadas na região.
Em resposta ao relatório, o porta-voz do Pentágono declarou que o departamento não comenta processos operacionais sigilosos, enfatizando que o reposicionamento de forças obedece às prioridades estratégicas definidas pelo presidente dos Estados Unidos e pelas avaliações do Estado-Maior Conjunto.
Foto: Mark Schiefelbein / AP
Redação – Thiago Salles