Uma doença que pode permanecer silenciosa durante décadas e reaparecer justamente quando o sistema imunológico perde força tem chamado a atenção de especialistas. O herpes-zóster, popularmente conhecido como cobreiro, é provocado pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora, e apresenta maior risco de complicações com o avanço da idade.
Segundo informações divulgadas pelo Jornal da USP, o vírus permanece alojado em estruturas do sistema nervoso após a primeira infecção. Com o envelhecimento e a redução da capacidade de defesa do organismo, ele pode voltar a se multiplicar e provocar dores, vermelhidão e pequenas bolhas geralmente concentradas em uma faixa de apenas um lado do corpo.
A médica Ana Cristina de Medeiros Ribeiro, pesquisadora da Divisão de Reumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, alerta que a doença pode começar justamente com uma dor forte e aparentemente sem explicação. As lesões características podem aparecer posteriormente, facilitando a identificação do problema.
O quadro exige atenção principalmente quando atinge o rosto. Devido à proximidade dos olhos, uma infecção nessa região pode provocar complicações graves e até comprometer a visão. Outra consequência possível é a neuralgia pós-herpética, condição em que a dor provocada pelo comprometimento dos nervos permanece mesmo depois do desaparecimento das lesões.
O tratamento antiviral precisa ser iniciado rapidamente, preferencialmente nas primeiras 72 horas após o surgimento das bolhas, para reduzir o risco de complicações. Por isso, dores repentinas acompanhadas posteriormente por lesões em forma de faixa devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
A prevenção também ganhou destaque. De acordo com a especialista, a queda da imunidade celular associada ao envelhecimento aumenta a possibilidade de reativação do vírus. A partir dos 50 anos, a vacinação passa a ter papel importante na prevenção, e também pode ser indicada para adultos mais jovens que tenham condições ou realizem tratamentos capazes de comprometer o sistema imunológico.
O esquema para adultos a partir dos 50 anos é composto por duas doses, normalmente aplicadas com intervalo de dois a seis meses. Pessoas que já tiveram herpes-zóster também podem receber o imunizante, seguindo orientação médica e respeitando o período recomendado após o episódio.
Apesar da importância da prevenção, a vacina ainda não integra o calendário de rotina do Sistema Único de Saúde. Atualmente, o imunizante está disponível na rede privada, enquanto a incorporação ao SUS enfrenta, entre outros fatores, questões relacionadas ao custo.
A recomendação dos especialistas é que pessoas dentro dos grupos indicados conversem com um profissional de saúde para avaliar a necessidade da vacinação e os demais cuidados preventivos. A identificação rápida dos sintomas também pode fazer diferença para evitar consequências mais graves.
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Redação – Thiago Salles