PF conclui investigação da tragédia da Voepass e deve responsabilizar gestores por queda que matou 62 pessoas.

Brasil

A Polícia Federal divulga nesta quinta-feira (6) o resultado da investigação criminal sobre a queda do voo 2283 da Voepass, acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024. O inquérito busca identificar responsabilidades criminais pela tragédia e deverá apontar funcionários da administração da companhia aérea entre os indiciados.

De acordo com a investigação, o acidente foi provocado por uma sequência de falhas operacionais e de segurança, envolvendo problemas recorrentes no sistema de degelo da aeronave, omissão de panes em registros de manutenção, liberação do voo mesmo diante de condições meteorológicas severas e falhas na aplicação dos procedimentos previstos pelo fabricante.

A análise da caixa-preta revelou que a tripulação enfrentava dificuldades com o sistema de degelo pouco antes da queda, reforçando uma das principais linhas investigativas. A perícia também concluiu que diversas barreiras de segurança deixaram de funcionar antes do voo fatal.

O relatório criminal da Polícia Federal complementa o documento técnico divulgado anteriormente pelo Cenipa, órgão responsável pela investigação aeronáutica, que apontou uma cultura de normalização de falhas dentro da empresa e apresentou recomendações para evitar novos acidentes.

Após a conclusão do inquérito, caberá ao Ministério Público Federal analisar o caso e decidir sobre o oferecimento de denúncia contra os responsáveis. Paralelamente, familiares das vítimas estudam ingressar com ações coletivas buscando responsabilização civil pelos danos causados.

O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando o ATR 72-500, que fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), caiu sobre uma residência em Vinhedo. As 62 pessoas a bordo morreram, tornando-se o mais grave desastre da aviação brasileira desde o acidente da TAM, em 2007.

Em nota, a Voepass informou que aguarda o conteúdo oficial do relatório da Polícia Federal para se manifestar e reafirmou que continua colaborando com as autoridades responsáveis pelas investigações.

Foto: Nelson Almeida/AFP

Redação: Ana Flávia

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